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Gramática do espanhol de A a Z

140 temas em 17 áreas. Cada um tem um nível, uma explicação em português, frases de exemplo com tradução, a armadilha típica de quem fala português e exercícios próprios.

Como percurso, numeradoComo mapa: os tempos numa linha do tempo

Alfabeto e pronúncia

5 temas · A1

Letras, sons, acento.

Tempos verbais

26 temas · A1–C2

Presente, os dois passados (indefinido e imperfecto), perfecto, futuro.

Ser e estar, conjuntivo, passiva

44 temas · A1–C2

Ser e estar, poder e dever, imperativo, conjuntivo, frases com si, passiva.

Nomes, artigos e pronomes

36 temas · A1–C1

Género e plural, artigos, adjetivos, pronomes (lo, la, le), preposições, por e para.

Construção da frase

16 temas · A1–C1

Perguntas, negação, orações relativas e subordinadas, discurso indireto.

Estilo e escrita

13 temas · B1–C2

Acentos, pontuação, ordem das palavras, conectores, Espanha e América Latina.

Alfabeto e pronúncia

Alfabeto e pronúncia

5 temas

O espanhol diz-se quase como se escreve. Com as regras na mão, consegues ler em voz alta qualquer palavra que vês pela primeira vez e escrever quase tudo o que ouves. Para quem fala português a distância é curta, e por isso mesmo engana: as letras são as mesmas e os sons nem sempre. O espanhol não reduz as vogais átonas, não tem vogais nasais, não diz o s final como « ch », e o seu ch, o seu j e o seu ll soam de outra maneira. Este capítulo trata exatamente desses pontos.

Tempos verbais

O presente

9 temas

Um verbo espanhol traz a pessoa na terminação, tal como o português. Por isso o pronome fica quase sempre de fora, e por isso as terminações têm de se saber e não apenas reconhecer: quem confunde hablo e habla não fala de forma vaga, diz outra coisa. As séries são três — para os verbos em -ar, -er e -ir — e os verbos mais frequentes afastam-se delas. Quem vem do português tem aqui a maior vantagem de todas: as três conjugações são as mesmas, e na maior parte dos casos o verbo cai no mesmo grupo dos dois lados.

O passado

11 temas

A oposição espanhola entre comí e comía — acabado contra não acabado — é a portuguesa entre pretérito perfeito e imperfeito, e ambas se traduzem uso por uso. O português é também a única língua desta lista que usa o perfeito simples todos os dias, como o espanhol: « ontem comi » e ayer comí andam juntos. O que engana é o outro tempo: « tenho comido » em português quer dizer « tenho comido repetidamente », e he comido em espanhol quer dizer simplesmente « comi hoje ». São formas iguais com sentidos diferentes.

O futuro

6 temas

O espanhol tem um futuro fácil e um cuidado, e no dia a dia ganha o fácil: voy a llamar em vez de llamaré. É a oposição portuguesa entre « vou telefonar » e « telefonarei », e o reflexo português é aqui o certo. O que o português não prepara é o ponto em que o futuro espanhol deixa de falar de tempo. Serán las ocho não quer dizer « serão oito horas » no sentido do relógio, mas « deve ser oito » — a forma do futuro carrega a suposição sobre o presente. E o condicional, construído como um futuro visto do passado, faz o mesmo para ontem e é ao mesmo tempo a delicadeza de qualquer pedido.

Ser e estar, conjuntivo, passiva

Ser, estar e hay

8 temas

Quem fala português começa aqui com uma vantagem que quase nenhuma outra língua tem: ser e estar existem também em português, e a fronteira entre os dois passa quase pelo mesmo sítio. « Sou alemão » e « estou cansado » traduzem-se quase palavra por palavra. Esta secção vem à frente por causa do quase: são três ou quatro pontos em que as duas línguas se separam, e cada um deles aparece logo nas primeiras frases.

Poder, dever, querer

6 temas

Também o português não tem « verbos modais » com conjugação própria: poder, dever e querer são verbos como os outros, seguidos de infinitivo. O espanhol faz o mesmo com poder, querer e deber, e aqui não há nada a mudar. A dificuldade está noutro sítio: na obrigação. O espanhol tem três maneiras de dizer « ter de » e não são intermutáveis. tener que é a obrigação pessoal, hay que a geral, e deber a que vem do princípio. Traduzir as três por « é preciso » é perder justamente a distinção que o espanhol faz.

Pedidos e ordens

6 temas

Aqui o português chega preparado, porque faz exatamente o mesmo: « fala » no afirmativo e « não fales » no negativo, com o conjuntivo. No afirmativo a segunda pessoa do singular é simplesmente a terceira do presente: habla, come, vive — como « fala », « come », « vive » em português. E a forma de cortesia leva sempre o conjuntivo, afirmativa ou negativa. O que muda é a posição dos pronomes: o português prende-os atrás no afirmativo e usa-os à frente no negativo, e o espanhol faz o mesmo — mas escreve tudo colado e sem hífen.

O conjuntivo espanhol

11 temas

O português tem o conjuntivo presente, o imperfeito e o *futuro*. O espanhol tem os dois primeiros e não tem o terceiro. Por isso a pergunta não é « existe » nem « quando se usa » — as duas línguas coincidem quase inteiramente nisso — mas « onde é que vai parar a forma que falta ». Vai parar a dois sítios diferentes, e essa é a única coisa realmente difícil deste capítulo. « Quando eu chegar » torna-se cuando llegue, com o presente do conjuntivo; mas « se eu puder » torna-se si puedo, com o presente do indicativo, porque depois de si o espanhol nunca põe o conjuntivo presente. Uma forma portuguesa, duas respostas espanholas, conforme a conjunção.

As orações condicionais

7 temas

O português e o espanhol têm os mesmos três pares, pela mesma ordem, e dois deles coincidem forma a forma: « se tivesse tempo, ia » é si tuviera tiempo, iría e « se tivesse sabido, teria vindo » é si hubiera sabido, habría venido. O par que não coincide é o primeiro, e é o mais usado dos três. O português abre a condição realizável com o *futuro do conjuntivo* — « se tiver tempo, telefono-te » — e o espanhol não tem essa forma: põe ali o presente do indicativo, si tengo tiempo, te llamo. Depois disto sobram duas coisas do português falado que atravessam mal a fronteira: o imperfeito do indicativo a fazer de condicional (« hoje era médico ») e o mais-que-perfeito composto a fazer de condicional composto (« tinha vindo »).

A voz passiva

6 temas

Das quatro línguas de partida, o português é a que chega aqui com menos a aprender: tem a passiva com ser e concordância do particípio, tem a passiva com se e concordância do verbo, tem estar para o resultado, e tem a terceira pessoa do plural sem sujeito. As quatro respondem uma a uma às espanholas. O que muda é onde se põem as coisas e quantas formas há. O pronome se vai sempre *antes* do verbo em espanhol — « vendem-se casas » é se venden casas, sem hífen e do outro lado. O particípio espanhol tem uma forma só onde o português tem duas — « foi entregue » e « tinha entregado » são ambos entregado. E « ficar », que em português é a terceira via entre ser e estar, não tem aqui nenhum verbo próprio.

Nomes, artigos e pronomes

Nomes e artigos

8 temas

Um nome espanhol é masculino ou feminino — não há neutro, como em português. A semelhança é a maior de todas as línguas desta lista, e é justamente por isso que engana: as poucas palavras que trocam de género passam despercebidas. « o leite » é la leche, « o sangue » é la sangre, « a viagem » é el viaje. Por isso um nome aprende-se aqui sempre com o seu artigo — la mesa, nunca mesa.

Os adjetivos

10 temas

Este é o capítulo em que o português quase não precisa de correção: o adjetivo espanhol concorda em género e número e fica normalmente *depois* do nome, tal e qual. As diferenças são poucas e discretas. O plural faz-se sempre com -s ou -es e nunca reconstrói a palavra, como acontece em « papel/papéis ». E a lista dos adjetivos que mudam de sentido conforme a posição não é a mesma: « um grande homem » e « um homem grande » funcionam nas duas línguas, mas nuevo e único comportam-se de outra maneira.

Os pronomes

10 temas

Este é o capítulo em que o português europeu tem mais a desaprender. As formas correspondem quase uma a uma — me, te, lhe/le, nos, os —, mas o lugar não: o português diz « dou-lhe o livro », com o pronome depois do verbo, e o espanhol põe-o sempre *antes* — Le doy el libro. A ênclise não existe em espanhol fora do infinitivo, do gerúndio e da ordem afirmativa. O resto vem de graça: o sujeito omite-se, a ordem é pessoa antes de coisa, e conmigo e contigo são « comigo » e « contigo ».

As preposições

8 temas

O espanhol tem notavelmente poucas preposições, e cada uma tem por isso de carregar muito. de sozinho cobre o que o português divide entre « de » e « desde ». O português ajuda aqui como nenhuma outra língua, porque as suas preposições se distribuem quase como as espanholas. Duas coisas resistem. por e para repartem entre si o « para » português — e nisto o português é a única língua da lista que já faz a mesma distinção, com « por » e « para ». E a *a pessoal* não tem equivalente: diante de uma pessoa como complemento direto é preciso um a.

Construção da frase

Perguntas e negação

8 temas

Aqui o português dá quase tudo. A pergunta não pede auxiliar nem inversão: a frase fica como está e só a voz sobe, tal como « falas espanhol? ». A negação é uma palavra só, no, antes do verbo, como o « não » português. E a dupla negação funciona igual: « não vi nada » e no he visto nada são construídos do mesmo modo. Fica uma novidade, e é tipográfica: os dois pontos de interrogação, um deles invertido no início.

As orações subordinadas

8 temas

A construção é a portuguesa: o verbo não se mexe, nada se inverte, Sé que vienes mañana lê-se como « sei que vens amanhã ». As conjunções também se correspondem quase todas, o que faz deste um dos capítulos mais curtos para quem vem do português. Restam três desencontros, e todos são de sentido, não de forma. *« Desde que » não é desde que: em português vale « uma vez que » e « contanto que », em espanhol só « a partir do momento em que ». « O que » é lo que* com o artigo neutro, que o português não tem. E *« pois » não é pues*: o pues espanhol é sobretudo uma palavra de espera no início de uma resposta, e a causa faz-se com porque.

Estilo e escrita

Estilo e escrita

13 temas

Tudo aqui é facultativo no sentido em que a frase fica correta sem, e nada o é se quisermos ser ouvidos como falantes e não como manuais. Para quem vem do português as surpresas são poucas e todas do mesmo tipo: palavras que existem nas duas línguas e não querem dizer o mesmo. **pronto quer dizer « depressa », não « pronto ». todavía quer dizer « ainda », não « todavia ». llevar quer dizer « levar » e também « estar há », que o português diz de outro modo.** A isto junta-se um único acento gráfico onde o português tem três, um hífen que desaparece por completo, e uma construção sem par: lo caro que es, para dizer o quanto uma coisa é cara.

B2A ordem das palavrasCom gustar tudo se inverte — quem gosta passa a complemento. B1Acentos: os casos difíceisQuando as palavras crescem, as vogais se encontram e as palavras curtas têm um duplo. B2Palavras de tom: vale, puesvale é « está bem » — e pronto quer dizer « depressa ». B2Pontuação e escritaO hífen desaparece: nem nos pronomes nem nas palavras compostas. B2Outras perífrases: ir, andar, tener, llevarGerúndio ou particípio depois de um auxiliar — para aos poucos, sem parar e já feito. B2O neutro lo: lo caro que esPara dizer « o quanto é caro » há aqui uma forma só. B2Espanha e América LatinaO mapa tem a forma do vosso, e o vos comporta-se como o « você ». B2Infinitivo ou gerúndioO gerúndio nunca descreve um nome, e em português às vezes descreve. B2Conectores de textoCuidado com todavía: quer dizer « ainda », não « todavia ». C1Destacar: Fue Ana quien lo dijoO português diz « foi a Ana que o disse » — o espanhol escolhe o relativo: quien, donde, cuando. C1Infinitivo composto, gerúndio composto, particípio absolutode haberlo sabido, habiendo terminado, terminada la reunión — o português conhece as duas últimas; a primeira diz-se « se o tivesse sabido ». C1Questões de norma: dequeísmo, laísmo, habíanO que se ouve muitas vezes e a norma não aprova — reconhecer sem imitar. C2Registo: formas da imprensa e estilo nominalFormas que se leem nos jornais, nos relatórios e nos textos oficiais — e que na conversa não fazem falta.