Aprender espanhol: perguntas frequentes
36 perguntas que se fazem mesmo ao aprender espanhol, com respostas que se aguentam sozinhas. Onde há mais a dizer, a ligação vem por baixo — não em vez da resposta.
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Por onde começar, quanto tempo leva, o que querem dizer os níveis e porque perceber não chega.
Por onde se começa a aprender espanhol?
Por três coisas ao mesmo tempo, não uma a seguir à outra: a pronúncia, o presente dos verbos do dia a dia e o hábito de dizer frases inteiras em voz alta. A pronúncia vem primeiro porque é aí que o português mais se nota: o espanhol diz todas as vogais por inteiro e não tem vogais nasais. E a voz alta conta mais para um português do que para qualquer outra pessoa: quem percebe quase tudo a ler é tentado a nunca falar, e depois descobre que o que lhe sai é português com as terminações trocadas.
O espanhol é fácil para quem fala português?
Para perceber, sim, mais do que quase qualquer outra língua: o vocabulário de base é em grande parte comum, a frase constrói-se na mesma ordem, o sujeito pode ficar de fora e até a escolha entre ser e estar funciona quase como em português. Para falar bem, menos do que parece, e precisamente por isso: a proximidade faz ir de ouvido, e o ouvido português falha em pontos certos — o gustar construído ao contrário, os pronomes antes do verbo, o auxiliar haber, o a antes das pessoas, palavras iguais que querem dizer outra coisa. Convém saber desde o início que a dificuldade está aí.
O que querem dizer A1, A2, B1, B2, C1 e C2?
São os seis níveis de uma escala europeia, das primeiras frases (A1) ao domínio sem esforço (C2). As siglas podem usar-se livremente; as descrições oficiais de cada nível estão protegidas por direitos de autor, e este site, de propósito, não as reproduz. O que há aqui é uma classificação própria do material, com um critério declarado: não se pergunta quão difícil é uma palavra, mas a partir de quando já não se passa sem ela. la abuela está em A1 porque toda a gente tem uma; el sesgo é curta e está bem mais acima, porque se pode viver muito tempo sem precisar dela.
Quanto tempo leva a aprender espanhol?
Um número honesto em horas não existe, e quem dá um como facto inventou-o: depende de quanto se pratica, do que já se sabe e do que se quer fazer com a língua. Duas coisas podem dizer-se. Quem fala português chega muito depressa a perceber um texto escrito ou uma conversa pausada. O troço que leva mais tempo é outro: deixar de traduzir do português palavra a palavra, ou seja, passar de um espanhol que se entende a um espanhol correto.
Percebo espanhol, mas não o consigo falar. Porquê?
Porque perceber e falar são duas capacidades diferentes, e a proximidade entre as duas línguas só treina a primeira. Ao ler, o português preenche os vazios sozinho; ao falar, não há nada para preencher, e a palavra espanhola tem de sair da memória. Por isso é preciso o exercício no sentido contrário: partir da frase portuguesa e produzir a espanhola, em voz alta, sem olhar. Ler muito ajuda, mas não substitui este passo.
Gramática
Os pontos em que o espanhol só parece português.
Porque é que se diz «me gusta el café» e não «gusto de café»?
Porque em espanhol a construção está virada ao contrário da portuguesa. Em português quem gosta é o sujeito: «eu gosto de café». Em espanhol o sujeito é a coisa que agrada, e a pessoa aparece como pronome: me gusta el café, literalmente «o café agrada-me». Daí duas consequências: o verbo concorda com a coisa, me gustan los libros, e não há preposição de. Yo gusto de café é o erro típico de quem fala português, e percebe-se logo.
Porque é que os pronomes vão antes do verbo?
Porque em espanhol, com um verbo conjugado, o pronome vai sempre antes, também no início da frase: me llamo Ana, te lo digo, se levanta a las siete, onde o português de Portugal diz «chamo-me», «digo-to», «levanta-se». Depois do verbo, e agarrado a ele numa só palavra, o pronome só aparece com o infinitivo, o gerúndio e o imperativo afirmativo: quiero verte, dímelo. Não há hífen, e não há mesóclise: te lo diré, nunca nada parecido com «dir-to-ei».
Como se diz «dou-lho» em espanhol?
Com se lo doy. Quando dois pronomes se encontram e o primeiro seria le ou les, o espanhol troca-o por se: se lo doy, se las mando, nunca le lo doy. A ordem é a mesma do português — primeiro a pessoa, depois a coisa — e os dois vão antes do verbo, como qualquer pronome espanhol. Como o se não diz a quem, acrescenta-se muitas vezes a él, a ella ou a usted.
«He comido» ou «comí»: qual se usa?
Depende do período de tempo, e é aqui que o português engana. Em Espanha, se o período em que algo aconteceu ainda não acabou («hoje», «esta semana», «este ano»), usa-se o perfecto: hoy he comido tarde, onde o português diz «hoje comi tarde». Se já acabou («ontem», «o ano passado»), usa-se o indefinido: ayer comí tarde. O «tenho comido» português não ajuda, porque diz outra coisa — algo repetido até agora. Na maior parte da América Latina, pelo contrário, o indefinido usa-se também para hoje, como em português.
Porque é que o auxiliar é haber e não tener?
Porque nos tempos compostos o espanhol usa sempre haber, para todos os verbos: he comido, habíamos salido, habrá terminado. tener é o verbo de possuir — tengo dos hermanos — e o de obrigação, tengo que irme, «tenho de me ir». O particípio com haber nunca concorda: las he visto. E do haber vem também o hay, que corresponde ao «há» português: hay un problema.
Como se diz «quando chegares» e «se tiveres tempo»?
Sem futuro do conjuntivo, porque o espanhol de hoje já não o usa. Depois de cuando com sentido de futuro vai o presente do conjuntivo: cuando llegues, llámame. Depois de si vai o presente do indicativo: si tienes tiempo, ven. Cuando llegares e si tuvieres só aparecem em textos antigos e em linguagem jurídica, e numa conversa soam estranhos. Com o imperfeito a correspondência volta a ser boa: «se tivesse tempo, ia» é si tuviera tiempo, iría.
O espanhol tem infinitivo pessoal?
Não. Onde o português diz «para fazermos», «antes de saíres», «é melhor irem», o espanhol precisa de outra construção. Se o sujeito é o mesmo da frase principal, basta o infinitivo simples: lo hago para aprender. Se é outro, vai uma oração com que e o conjuntivo: te lo digo para que lo sepas, antes de que salgas, es mejor que vayan. Para hacermos não existe.
Porque é que se diz «voy a comer» e não «voy comer»?
Porque em espanhol o futuro próximo com ir leva sempre a: voy a comer, vamos a ver, va a llover. O português diz «vou comer» sem preposição, e é por isso que o a cai tantas vezes a quem fala português. É a forma mais frequente de falar do futuro no dia a dia: mañana voy a llamar a Luis, «amanhã ligo ao Luís».
Como se diz «estou a comer»?
Com o gerúndio: estoy comiendo, está lloviendo, estamos esperando. A construção de Portugal, «estar a» mais infinitivo, não existe em espanhol com este sentido: estoy a comer não se diz. O gerúndio forma-se com -ando nos verbos em -ar e -iendo nos outros; alguns mudam a vogal, como durmiendo ou pidiendo.
Porque é que se diz «veo a María»?
Porque em espanhol o complemento direto que é uma pessoa concreta leva a preposição a: veo a María, busco a mi hermano, quiero a mis hijos. Com coisas não leva: veo la casa. O português, no uso normal, não tem nada disto, e por isso é um dos erros que mais se notam. Depois de tener, em geral, o a não se põe: tengo dos hermanos.
Onde é: «es» ou «está»?
Para dizer onde uma coisa se encontra, o espanhol usa estar, mesmo quando ela nunca muda de sítio: la estación está lejos, ¿dónde está el baño?, Oporto está en el norte. O português diz nestes casos «é» ou «fica» — «onde é a casa de banho?», «a estação fica longe» —, e daí vem o erro. ser só serve para o sítio de um acontecimento: la fiesta es en mi casa. De resto, ser e estar dividem-se quase como em português.
Porque é que o espanhol não contrai «no», «na» e «pelo»?
Porque só tem duas contrações: al (a mais el) e del (de mais el). Tudo o resto fica separado: en el coche, «no carro»; en la mesa, «na mesa»; por el parque, «pelo parque»; en una casa, «numa casa»; a la playa, «à praia». E convém não trazer as contrações portuguesas: em espanhol, no é só a negação.
Tu, você ou o senhor: como se trata alguém em espanhol?
Com tú ou com usted, e a escolha é mais simples do que em português. usted é o tratamento cortês normal, com o verbo na terceira pessoa, e não tem o problema de «você», que em Portugal pode soar pouco cortês. Em Espanha passa-se ao tú com facilidade, muitas vezes logo à primeira conversa entre pessoas da mesma idade. No plural há uma forma que no português de hoje quase desapareceu com «vós»: vosotros, com terminações próprias, habláis, tenéis, para tratar por tu várias pessoas; ustedes é o plural de usted.
Vocabulário e pronúncia
Que palavras primeiro, como fixá-las, de quais desconfiar e como dizê-las.
Quantas palavras de espanhol é preciso aprender?
Nenhum número é honesto, porque depende do que se quer fazer e do que conta como «saber» uma palavra. Para quem fala português, a pergunta útil é outra: que palavras não se adivinham. Muitas reconhecem-se sozinhas (la familia, la ciudad, comprar), mas precisamente entre as mais frequentes estão as diferentes: hablar, mirar, todavía, quedar, echar, sin embargo. São essas que se aprendem primeiro.
Como se fixam as palavras para sempre?
Revendo-as a intervalos cada vez maiores, e fazendo com que sejam perguntadas em vez de relidas. Quem relê uma lista reconhece as palavras; quem tem de as tirar da memória faz o esforço de que precisa para falar. Este site distribui-as por cinco caixas: o que se sabe volta passados dias e depois semanas, o que se erra volta no dia seguinte. Mais do que qualquer método, conta aprender a palavra dentro de uma frase e não como par numa tabela.
Quais são os falsos amigos entre espanhol e português?
Palavras que parecem portuguesas e dizem outra coisa, e entre duas línguas tão próximas são muitas. polvo é «pó» (o polvo é el pulpo); presunto é «suposto» (o presunto é el jamón); exquisito é «delicioso», não «esquisito», que é raro; oficina é «escritório»; rato é «bocado», no sentido de tempo; cena é «jantar»; largo é «comprido»; borracha é «bêbeda»; propina é «gorjeta». E o mais conhecido: embarazada quer dizer «grávida», não «embaraçada».
Como se diz «ficar» em espanhol?
Não com uma palavra só, e é por isso que custa. Depende do que «ficar» quer dizer na frase. Permanecer é quedarse: me quedo en casa. Mudar de estado é muitas vezes ponerse: se puso nervioso, «ficou nervoso». Ficar bem a alguém é quedar: esa camisa te queda bien. E estar situado é estar: la estación está lejos. Vale a pena aprender cada uso com a sua frase, e não procurar uma tradução única.
Porque é que «ter saudades» não se traduz palavra a palavra?
Porque cada língua junta verbos e nomes à sua maneira, e entre espanhol e português as combinações coincidem muitas vezes, mas não sempre. «Ter saudades» diz-se echar de menos: te echo de menos. «Tomar o pequeno-almoço» é um verbo só, desayunar. «Fazer anos» é cumplir años, e «não me liga nenhuma» é no me hace caso. Regras não há: estas combinações aprendem-se em bloco, cada uma com a sua frase.
É preciso decorar os verbos irregulares?
Sim, e aqui o português ajuda bastante: muitos dos irregulares são os mesmos, e vários pretéritos parecem-se — tuve e «tive», hice e «fiz», puse e «pus», dije e «disse». O que o português não tem é a mudança da vogal do radical quando é tónica: quiero mas queremos, puedo mas podemos, duermo mas dormimos. Diz-se «quero» e «posso», e daí vem o erro quero em vez de quiero.
O que muda na pronúncia para quem fala português?
Sobretudo as vogais: o espanhol di-las todas por inteiro, mesmo átonas, e o e e o o finais de leche e vaso ouvem-se claramente. Não há vogais nasais: pan acaba numa consoante, não em «pão». O j, e o g antes de e e i, não é o «j» português mas um som áspero no fundo da garganta: jamón, gente. O ch é o de «tchau». O s entre vogais é sempre surdo, e o s final não chia. Na maior parte de Espanha, o z e o c antes de e e i dizem-se como o th inglês de «think». O ñ é o «nh», e o b e o v soam igual.
Como funcionam os acentos gráficos em espanhol?
Há um só, o agudo, e diz apenas onde está a sílaba tónica — nunca se a vogal é aberta ou fechada, como em «avó» e «avô». A regra: uma palavra que acaba em vogal, n ou s tem o acento na penúltima sílaba, as outras na última; tudo o que foge a isto leva acento, café, árbol, música. Outros acentos distinguem palavras iguais: tú e tu, sí e si, e as palavras interrogativas, qué, cómo, dónde. Til sobre vogais não existe; só o ñ o tem.
Para que servem ¿ e ¡ no início da frase?
Anunciam logo à primeira palavra que a frase é uma pergunta ou uma exclamação. Em espanhol, como em português, uma pergunta tem muitas vezes a mesma ordem de uma afirmação, e a diferença está só na entoação: o sinal inicial diz a quem lê em voz alta como a deve dizer. Abre-se onde começa a pergunta, não forçosamente no início da frase: Y tú, ¿qué piensas?
Espanha ou América Latina
Que espanhol se aprende, e se é mesmo uma escolha.
Espanhol de Espanha ou da América Latina?
É a mesma língua, tal como o português de Portugal e o do Brasil, e quem aprende uma variedade percebe a outra. As diferenças contam-se: na América Latina não há vosotros, e em seu lugar usa-se sempre ustedes; o z e o c antes de e e i dizem-se como um s; e algumas palavras do dia a dia mudam (coche e carro, zumo e jugo, ordenador e computadora). Este site escreve o espanhol de Espanha e indica a forma americana onde é diferente.
Porque é que na Argentina se diz vos em vez de tú?
Porque lá se conservou uma forma de tratamento mais antiga. vos tem terminações próprias — vos hablás, vos tenés, vos vivís —, com o acento na última sílaba e sem mudança de vogal no radical. Não é descuido nem só familiaridade: na Argentina, no Uruguai e em partes da América Central é a forma normal de tratar por tu. Quem usa tú é percebido em todo o lado.
Coger é mesmo uma palavra a evitar?
Em Espanha não, em boa parte da América Latina sim. Lá tem um sentido grosseiro, e diz-se tomar ou agarrar. Em Espanha coger el autobús é a maneira mais normal de dizer «apanhar o autocarro», e ninguém repara. tomar serve em todo o lado: quem não quer pensar nisso usa esse.
Este site
Quanto custa, o que guarda, o que não é.
Pode começar-se aqui do zero?
Pode. A gramática começa por ser e estar, pelo presente e pelo género dos nomes; todas as explicações estão em português, e cada tema indica a que nível pertence. Pode ficar-se no A1 enquanto for preciso e passar ao nível seguinte quando chegar a altura.
Quanto custa este site?
Nada. Todos os conteúdos estão acessíveis sem registo e sem pagamento, e não existe uma versão que tenha mais. O que um dia pode vir a juntar-se é uma assinatura facultativa para algo a mais: nada do que hoje é livre fica fechado por causa disso.
Este site guarda os meus dados?
O progresso — que exercícios correram bem e quando, em que caixa está cada palavra — fica apenas na memória do próprio navegador e não é enviado para lado nenhum. Não há conta, não há registo e não há servidor que veja nada disso. Quem quiser levar o progresso para outro dispositivo guarda-o num ficheiro e carrega-o lá.
De onde vêm os conteúdos deste site?
Foram escritos para este site. Nenhum texto, nenhuma lista de palavras, nenhuma frase de exemplo e nenhum exercício foi tirado de uma coleção alheia, traduzido ou resumido. Não é cortesia, é uma condição: uma lista compilada por alguém está protegida mesmo quando as palavras soltas não pertencem a ninguém.
O site funciona sem internet?
Sim, depois da primeira visita. O que se abriu uma vez fica no dispositivo, e na página de exercícios há um botão que transfere de antemão todo o resto; a partir daí trabalha-se sem rede, exercícios e progresso incluídos. O que sem rede pode não funcionar é a leitura em voz alta em alguns dispositivos: certos navegadores vão buscar a voz à rede.
Este site prepara para o DELE?
Não, e não por modéstia: não segue o programa de nenhum exame oficial e nenhuma entidade certificadora o reconhece. Explica e põe a praticar. Quem precisa de um certificado obtém-no num centro de exames; o que se pratica aqui ajuda, mas não o substitui.