Die ganze Grammatik
121 Themen in 20 Bereichen. Jedes Thema hat eine Stufe, eine Erklärung auf Deutsch, Beispielsätze mit Übersetzung, den typischen deutschen Fehler und eigene Übungen.
Als Lernpfad, durchnummeriertAls Karte: die Zeitformen auf einer Zeitleiste
être, avoir e há
5 ThemenA boa notícia primeiro: *être faz sozinho o trabalho de ser e de estar.* Je suis allemand e je suis fatigué levam a mesma forma, e a decisão que em português se toma a toda a hora aqui não existe. Em troca, a fronteira passa noutro sítio e apanha quem vem do português mais do que a qualquer outro: *a fome, o frio e o medo têm-se com avoir*. O português diz « estou com fome », « estou com frio », « estou com medo », com estar e com uma preposição; o francês diz j'ai faim, j'ai froid, j'ai peur, sem preposição nenhuma. A idade, essa, coincide: j'ai vingt ans é « tenho vinte anos ». Ficam duas coisas novas: o artigo indefinido passa a de depois de uma negação, e há que escolher entre c'est e il est onde o português diz « é ».
O presente
6 ThemenO francês reparte os verbos por três grupos, conforme a terminação do infinitivo: -er, -ir, -re. O primeiro é de longe o maior. A diferença a aceitar já é outra: *quatro das seis formas soam igual.* je parle, tu parles, il parle e ils parlent são uma só palavra ao ouvido. O português ouve as seis e por isso pode dispensar o pronome; o francês não ouve quase nenhuma e por isso não o dispensa nunca. E há uma armadilha logo na etiqueta: *-er em francês é a primeira conjugação, não a segunda.* manger, parler, travailler correspondem a « comer »? Não: correspondem a « falar » e « trabalhar ». O grupo que se parece com o português no nome é o que menos se parece com ele na conta.
Os artigos
5 ThemenO português é a língua que mais usa o artigo definido de todas as seis, e é por aí que começam as diferenças. Diz « o meu carro » e « a Maria »; o francês diz ma voiture e Marie, sem nada à frente. Em compensação o francês tem uma classe inteira que o português não tem: *o artigo partitivo*. du pain, de la viande põem-se diante do que não se conta, e o português diz « como pão » com o nome nu. E cuidado com a forma, porque parece conhecida: du não é « do ». Du pain é « pão », não « do pão ». A contracção portuguesa e o partitivo francês escrevem-se quase igual e querem dizer coisas diferentes.
Os nomes
9 ThemenO sistema já é o seu: dois géneros, nenhum neutro, artigo quase sempre. O que muda é onde está a informação. Em português ouve-se tudo — « amigo » e « amiga », « jornal » e « jornais » distinguem-se no ar, sem olhar para a página. Em francês a marca do feminino é muitas vezes muda (un ami, une amie soam igual) e a do plural é sempre muda: aquele -s ninguém o diz. Fica tudo no artigo, e diante de vogal nem isso, porque le e la reduzem-se aos dois a l'. Há ainda uma família inteira que atraiçoa: « a viagem » e « a mensagem » são femininas, le voyage e le message são masculinos.
Os adjetivos
7 ThemenQuase tudo aqui já é seu. O adjetivo francês concorda em género e número e vem normalmente *depois* do nome: une voiture rouge, « um carro vermelho », pela mesma ordem. Há um grupo pequeno de palavras curtas que vai à frente — un grand jardin — e algumas mudam de sentido conforme o lugar, tal como « um grande homem » e « um homem grande ». As surpresas são três e espalham-se pelas páginas seguintes: o feminino francês faz-se com uma consoante e não com uma vogal, há três adjetivos que ganham uma forma curta diante de vogal — coisa que o português não faz —, e um adjetivo português pode trabalhar como advérbio, enquanto o francês quase nunca o deixa.
Os pronomes
6 ThemenÉ aqui que o português e o francês se afastam mais. O pronome átono francês vai *antes* do verbo, sempre: je le vois é « vejo-o », com as palavras pela ordem contrária. O português só põe o pronome à frente quando alguma coisa o obriga — uma negação, um advérbio, uma conjunção — e o francês faz isso o tempo todo, sem precisar de gatilho nenhum. Depois há duas palavras que o português não tem: y para um lugar ou para algo com à, e en para uma quantidade ou algo com de. Uma delas já a usa todos os dias sem dar por isso, dentro de il y a.
Perguntas e negação
5 ThemenO português nega com uma palavra à frente do verbo e pergunta pela entoação. O francês parte as duas coisas de outra maneira. A negação tem duas peças a abraçar o verbo — ne … pas — e nenhuma das duas é « não »: non existe, mas só serve para responder, nunca para negar uma frase. E para perguntar há três caminhos, um dos quais lhe vai parecer familiar de imediato: est-ce que é, peça por peça, o « é que » de « onde é que moras? ». De todas as línguas de partida, o português é a única que já traz essa construção pronta.
O passado
6 ThemenA repartição entre os dois passados é a sua: o imparfait é o seu imperfeito e o passé composé faz o trabalho do pretérito perfeito. Il pleuvait quand je suis sorti é « chovia quando saí », com as mesmas duas funções nos mesmos dois sítios. O que muda é a forma e é uma armadilha logo à entrada: « saí » é uma palavra e je suis sorti são três. E a forma composta portuguesa mais parecida — « tenho saído » — quer dizer outra coisa, uma repetição que continua. Depois há dois auxiliares em vez de um, e com um deles o particípio concorda, o que em português só acontece na voz passiva.
O futuro
9 ThemenA perífrase é a sua, e sem preposição nenhuma: « vou partir » é je vais partir, palavra por palavra. Nenhuma outra língua de partida chega tão perto neste ponto. O futuro simples também se constrói como o seu, infinitivo mais terminações, só que com dez radicais irregulares em vez de três. E depois há o buraco: o português tem um futuro do conjuntivo — « quando chegar », « se tiver tempo » — que mais nenhuma língua românica conservou, e é justamente a forma que o francês não tem. Onde o senhor põe esse tempo, o francês põe duas coisas diferentes: futuro depois de quand e presente depois de si.
Pedidos e ordens
4 ThemenO imperativo francês é o presente sem o pronome, e tem três pessoas: tu, nous, vous. Duas delas já são suas de forma diferente. A de tu faz-se tirando um s, como em português — « falas » dá « fala » —, e o hífen que liga o pronome ao verbo é a sua pontuação, que mais nenhuma língua desta lista usa aqui. O que muda é o resto. Não há forma de cortesia à parte: vous serve para « vocês », para « o senhor » e para « a senhora ». Não há conjuntivo nenhum no imperativo, nem sequer na negativa. E a forma de nous — Allons-y ! — está bem viva, enquanto o seu « falemos » quase desapareceu.
Poder, dever, querer
9 ThemenOs quatro verbos são verbos normais, irregulares mas completos, e atrás vem o infinitivo nu: je peux venir é « posso vir ». savoir e connaître são « saber » e « conhecer », com a mesma fronteira, e il faut é « é preciso » — impessoal, invariável, com o infinitivo atrás. O que muda são três coisas que voltam em cada frase. O pronome não se cola ao infinitivo. « Não é preciso » e il ne faut pas querem dizer o contrário um do outro. E « deve ter esquecido » constrói-se ao contrário: o passado vai para o modal e não para o infinitivo.
As palavras pequenas
5 ThemenAs preposições não se traduzem: aprendem-se coladas à palavra de que dependem, e isso já se faz em português com « gostar de » ou « sonhar com ». Aqui há três coisas a arrumar. A primeira é a contração: o francês contrai *apenas* à e de com le e les, enquanto o português contrai quase tudo — do, no, pelo, num. A segunda é que com os países manda o género, e não a preposição: en France mas au Portugal. E a terceira é um sinal enganador: o francês tem um à com acento grave que não é crase nenhuma.
O conjuntivo francês
4 ThemenO modo é o seu, com os mesmos disparadores e as mesmas conjunções. O que muda é a extensão. O português tem três conjuntivos vivos — presente, imperfeito e futuro — e o francês tem dois, e um deles quase só se lê. O futuro do conjuntivo, que o senhor usa todos os dias em « quando chegar » e « se tiver », aqui não existe de todo. E há duas peças a acrescentar: o infinitivo pessoal não tem equivalente, por isso um sujeito diferente obriga sempre à oração com que; e depois de um superlativo o conjuntivo é obrigatório, onde o português usa o indicativo.
As orações condicionais
7 ThemenOs três tipos são os seus e os sentidos também. O que muda é o modo: onde o português põe conjuntivo depois de « se » — « se chover », « se tivesse », « se tivesse sabido » —, o francês põe indicativo. E há uma diferença de escrita logo à entrada: o se francês não é o seu « se ». O condicional escreve-se si, com i; se com e é o pronome reflexo. A regra que sustenta os três tipos é uma proibição: *depois de si nunca vai o condicional nem o futuro* — e uma única fórmula, au cas où, quebra-a de propósito.
A voz passiva
4 ThemenA construção é a sua: être mais particípio, com o particípio a concordar com o sujeito. O que muda é o número de auxiliares. O português distingue « a porta é fechada » de « a porta está fechada » — a ação e o estado, com dois verbos diferentes — e o francês tem só être para os dois. E, tal como em português, a passiva é a solução menos usada: o francês prefere on, que é o seu « se » de « fala-se », e o verbo reflexo, que é o seu « come-se frio ». A diferença está em que on é um sujeito a sério e ocupa o lugar à frente do verbo.
Ligar duas frases
5 ThemenO « que » português faz sozinho o trabalho que o francês reparte por qui e que, e o que decide não é o sentido mas o papel da palavra dentro da subordinada: sujeito ou complemento. Em compensação, o essencial já vem de casa: o relativo não se pode omitir e a preposição vai à frente, nunca no fim. O que é preciso desmontar é o hábito da contração. O português junta a preposição ao artigo em quase tudo — « do qual », « ao qual », « no qual », « pelo qual » — e o francês só o faz com à e com de; e dont não contrai com nada, porque já é a preposição inteira.
O discurso indireto
5 ThemenO mecanismo é o seu e o recuo dos tempos também: verbo introdutor no presente, nada se mexe; no passado, tudo recua um passo — presente para imparfait, pretérito perfeito para plus-que-parfait, futuro para conditionnel. O que muda é outra coisa. O pronome: o português prende-o ao verbo — « disse-me », « pediu-nos » — e desloca-o para diante assim que aparece um « que »; o francês põe-o sempre antes do verbo e nunca o prende. O mais-que-perfeito simples — « pagara », « dissera » — não tem forma correspondente e desdobra-se em duas palavras. E espérer que, ao contrário de « espero que », vai com o indicativo.
O que vem depois de um verbo
8 ThemenO sistema é o seu: dois verbos seguidos, o segundo no infinitivo, e no meio nada, à ou de — como « quero sair », « começo a sair », « deixo de sair ». O que não bate certo é uma preposição que o francês não tem neste lugar: o *em*. « Hesitar em », « insistir em », « pensar em », « ficar em » não têm forma paralela — o francês põe à nos três primeiros e nada no quarto. Depois há « gostar *de* », que em francês não leva nada; « acabar de », que quer dizer duas coisas e em francês se divide em duas; e o gerúndio, que aqui não anda sozinho nem se troca pelo « a » de « estou a ler ».
Escrita e som
4 ThemenNisto o português é a língua que menos se espanta. Quem fala português europeu já vive com a ideia de que a escrita diz mais do que a boca: as vogais átonas fecham-se e desaparecem, « telefone » sai com duas vogais em vez de quatro, e ninguém acha que isso seja um erro. A diferença é que a redução portuguesa é fonética e regular, ao passo que o silêncio francês é total e carrega a gramática: il parle e ils parlent soam iguais, ami e amis soam iguais, e o plural não se ouve em lado nenhum a não ser na ligação. E há um sítio em que as duas línguas fazem o mesmo gesto: o -s final que se liga à vogal seguinte e passa a soar como z.
O acabamento
8 ThemenNada do que está aqui decide uma frase, e tudo decide a impressão. Muito já lhe é familiar: a profissão sem artigo, « todo » que concorda, os meses em minúscula, a vírgula decimal, as aspas angulares. O que muda é mais miúdo. A pergunta que se faz neste lugar deixa de ser « ser ou estar » e passa a ser c'est ou il est. O « mesmo » português faz aqui os três trabalhos de même, o que é raro e vale a pena saber. O « a gente » que usa para dizer « nós » tem aqui um gémeo exato, on. E os diminutivos com que atenua uma crítica não existem: é preciso uma palavra inteira.