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Gramática do alemão de A a Z

131 temas em 16 áreas. Cada um tem um nível, uma explicação em português, frases de exemplo com tradução, a armadilha típica de quem fala português e exercícios próprios.

Como percurso, numeradoComo mapa: os tempos numa linha do tempo

Alfabeto e pronúncia

5 temas · A1

Letras, sons e acento.

Tempos verbais e conjuntivo

15 temas · A1–B2

Presente, passado (Perfekt, Präteritum), futuro, Konjunktiv I e II.

Verbos: modais e passiva

24 temas · A1–B2

Presente, sein e haben, verbos separáveis e reflexos, imperativo, modais, passiva.

Nomes, artigos e casos

52 temas · A1–C2

Os quatro casos, género, plural, artigos, pronomes, adjetivos, preposições.

Construção da frase

24 temas · A1–C1

Ordem das palavras, posição do verbo, perguntas, negação, orações subordinadas.

Estilo e pormenores

11 temas · A1–C1

Partículas modais, du ou Sie, maiúsculas, vírgula, números e datas.

Alfabeto e pronúncia

Alfabeto e pronúncia

5 temas

O alemão escreve-se de forma muito regular: com poucas regras podes ler em voz alta uma palavra que nunca viste. As letras são as mesmas, mais ä, ö, ü e ß, mas várias letras conhecidas soam de outra maneira: w lê-se «v», z lê-se «ts», ch não é o «ch» de «chave», o h ouve-se e ei lê-se «ai». Também não há vogais nasais, e as vogais átonas não se reduzem como em português. Este capítulo percorre o alfabeto, as vogais, as consoantes que mais enganam quem fala português e o acento. Vale a pena lê-lo primeiro: cada palavra do resto do site fixa-se melhor quando se ouve bem na cabeça.

Tempos verbais e conjuntivo

Os tempos verbais

9 temas

O alemão tem seis tempos no papel e um conjunto muito mais pequeno na fala. O presente cobre o presente e quase todo o futuro. O Perfekt cobre quase todo o passado. O Präteritum escreve-se mais do que se fala, salvo num punhado de verbos que o mantêm também na fala. Quem vem do português procura aqui a diferença entre «vi» e «tenho visto» e não a encontra: Ich habe ihn gesehen é as duas coisas, e quem decide é a frase portuguesa, não a alemã. Largar cedo essa expectativa poupa muito trabalho.

O conjuntivo alemão

6 temas

Um português chega aqui com um conjuntivo grande e muito trabalhado — presente, imperfeito, futuro — e convém dizer logo que o alemão o usa de outra maneira. O Konjunktiv II é o irreal e a cortesia — «se tivesse tempo, ia» — e aí há uma diferença de mecânica que custa: o português usa duas formas diferentes nas duas metades, imperfeito do conjuntivo e condicional, enquanto o alemão usa a mesma nas duas. O Konjunktiv I, esse, não tem equivalente nenhum: é uma forma que marca uma frase como dita por outro sem tomar posição sobre se é verdade, e o português resolve com «disse que» e o indicativo. Uma boa notícia, porém: a cortesia funciona exatamente igual, porque «queria» e «gostaria» são ich hätte gern.

Verbos: modais e passiva

O verbo: presente e radical

11 temas

Um presente português tem seis formas e seis terminações, e ainda por cima três conjugações. O alemão tem seis formas e quatro terminações distintas, as mesmas quatro em quase todos os verbos da língua: por este lado o trabalho é menor, não maior, e ao fim de duas semanas deixa-se de pensar nele. A atenção é precisa noutro sítio. O alemão não tem forma progressiva, portanto «trabalho» e «estou a trabalhar» são a mesma frase. O sujeito nunca se pode omitir, mesmo quando a terminação o diria sozinha. Sein e haben são irregulares e fazem falta duas vezes, como verbos e como máquina do passado — e aqui o português não ajuda nada, porque usa «ter» para todos os tempos compostos e não conhece a escolha de auxiliar. E há uma família de verbos cujo prefixo se vai embora para o fim da frase, coisa para que o português não oferece modelo nenhum.

Os verbos modais

7 temas

O alemão tem seis verbos modais — können, müssen, dürfen, sollen, wollen, mögen — e a mecânica é a portuguesa: o modal conjuga-se, o verbo principal fica no infinitivo. Duas coisas são diferentes. O infinitivo vai para o fim da frase e não leva nada à frente: onde o português diz «tenho de ir» ou «começo a perceber», o alemão não põe nem zu nem qualquer outra palavra depois de um modal — e «ter de» é justamente a construção que se traz de cá e que aqui não existe. E a conjugação tem uma irregularidade que surpreende: as formas de ich e er são iguais e sem terminação. Fica ainda uma divisão que o português não faz: müssen negado não proíbe nada — diz que não é preciso —, e a proibição diz-se nicht dürfen.

A passiva

6 temas

Este é o capítulo em que o português paga finalmente a dívida de «ser» e «estar». O alemão tem duas passivas e separa-as exatamente igual: Die Tür wird geschlossen é um processo — «a porta é fechada», alguém a está a fechar — e Die Tür ist geschlossen é um estado — «a porta está fechada». Quem sofreu essa distinção na própria língua tem-na aqui de graça, e vale a pena dizê-lo porque o inglês e o francês não a têm e para eles é o ponto mais difícil do capítulo. O que é preciso aprender é a mecânica: werden leva o tempo, o particípio nunca muda, e no Perfekt aparece worden e não geworden.

Nomes, artigos e casos

Os quatro casos

9 temas

O português marca o caso só nos pronomes: eu e «me», «ele» e «lhe». Em tudo o resto, o trabalho que um substantivo faz na frase vê-se pelo sítio onde está e pela preposição. «O cão morde o homem» e «o homem morde o cão» usam as mesmas palavras e dizem o contrário, e a única diferença é a ordem. O alemão marca o trabalho no artigo, e depois de marcado pode dar-se ao luxo de mudar o substantivo de sítio. É toda a troca, e vale a pena dizê-lo já no início, porque quase toda a dificuldade desta secção vem daí: há quatro casos para que a ordem das palavras possa levar a ênfase em vez da gramática.

O substantivo

9 temas

O português pede uma coisa ao aprender um substantivo: o género, e quase sempre é a terminação que o diz. O alemão pede duas — qual dos três géneros e qual das nove terminações de plural — e nenhuma delas se deduz da palavra com fiabilidade, por isso ambas se aprendem com ela. A boa notícia está no fim desta secção: o alemão constrói substantivos novos colando velhos, sem hífen e sem limite, de modo que quem sabe desmontar uma palavra comprida consegue ler palavras que ninguém lhe ensinou.

Os artigos

7 temas

O português tem quatro artigos definidos e quatro indefinidos, e variam em género e número. O alemão tem duas séries de dezasseis casas cada uma, porque é no artigo que vive o sistema de casos. Não é um enfeite à frente do substantivo: é a sua etiqueta gramatical. As duas séries distinguem-se num ponto instrutivo. O artigo definido marca cada casa o suficiente para se ler; o indefinido tem três casas sem terminação nenhuma — ein Mann, ein Kind — e é justamente esse vazio que um adjetivo vem preencher. Aprender onde ein nada diz é, portanto, aprender também porque existem as terminações do adjetivo.

Os pronomes

9 temas

Os pronomes são o único sítio onde o português ainda marca a função pela forma: «eu» e «me», «ele» e «lhe». Os pronomes alemães fazem o mesmo em quatro casos, o que faz deles a entrada mais fácil no sistema de casos: a ideia já é conhecida e novo é apenas o número de formas. Há porém uma diferença que não é de forma mas de lugar. Os pronomes átonos portugueses encostam-se ao verbo e mudam de lado conforme o que vem antes; os pronomes alemães são palavras inteiras com um lugar próprio no centro da frase, e esse lugar não é junto ao verbo. Dois pronomes não têm correspondente nenhum: man, que o português resolve com o «se» impessoal ou com «a gente», e es, que ocupa um lugar de sujeito onde o português simplesmente não põe nada.

Os adjetivos

10 temas

O português concorda o adjetivo com o nome sempre e em toda a parte: «a casa bonita», «a casa é bonita». O alemão reparte isso de uma maneira que ao princípio parece ao contrário. Depois de sein o adjetivo não leva absolutamente nada — Die Wohnung ist teuer, sem marca de género nem de número — e à frente de um nome a terminação existe, mas não depende só do nome: depende do que está à frente do adjetivo. O princípio é novo e simples: o adjetivo diz o que o artigo não disse. E há uma simplificação que se agradece: o alemão não tem «-mente». O mesmo schnell serve para «rápido» e para «rapidamente», sem se acrescentar nada.

As preposições

8 temas

Em português uma preposição é só uma palavra: «com a mesa», «sem a mesa», «para a mesa» — a mesa não muda. Em alemão cada preposição manda num caso, e esse caso muda o artigo que vem a seguir. Aprender mit não é aprender uma palavra mas uma palavra e um caso, e quem aprender só a palavra terá de refazer metade mais tarde. As contrações, essas, o português conhece-as melhor do que o alemão: «no», «na», «do», «ao» são obrigatórias, ao passo que im, am, zum são facultativas. O que falta é a divisão: «a» e «para» cobrem sozinhas o que o alemão reparte por nach, zu, in e auf, e «em» cobre o que o alemão reparte por in, an e auf.

Construção da frase

A ordem da frase

8 temas

A ordem das palavras alemã tem uma fama de liberdade que não merece. Uma posição está fixa por completo: o verbo conjugado é o segundo elemento de uma oração principal. Todo o resto se move, e move-se por razões — o que já é sabido vem cedo, o que é novo vem tarde. Também o português arruma por informação e não por casas fixas, portanto essa parte é conhecida; novas são duas. Quando à frente do verbo está alguma coisa que não é o sujeito, o sujeito passa para trás — e não se pode deixar cair como em português, onde a terminação chega. E o material verbal — particípio, infinitivo, prefixo — vai-se embora para o fim da frase, onde o português o tem colado ao auxiliar.

As orações subordinadas

10 temas

Uma subordinada alemã faz duas coisas que o português não faz. Leva sempre vírgula — «acho que ela tem razão» não leva, Ich glaube, dass sie recht hat leva — e manda o verbo conjugado para o último lugar, atrás de tudo o resto. A ordem interna de uma subordinada portuguesa é a de uma principal, portanto não há nada a transpor: é uma construção nova a aprender. Em contrapartida, duas divisões caem certas sozinhas, porque o português as faz iguais: um … zu contra damit é «para» contra «para que», e trotz contra obwohl é «apesar de» com um nome contra «embora» com uma oração. O que falta é uma distinção: o «se» português cobre ao mesmo tempo ob e wenn.

A negação

6 temas

O português nega com uma palavra só posta à frente do verbo: «não tenho tempo», «não vem». O alemão faz duas coisas diferentes. Reparte o trabalho entre kein e nicht conforme o que se nega — um nome leva kein, tudo o resto nicht — e põe o nicht tarde, quase no fim da frase, e não à frente do verbo. E há um terceiro ponto em que o português leva diretamente ao erro: o português exige a dupla negação, «não vi ninguém», e o alemão proíbe-a. Uma negação por oração, e duas anulam-se. Em troca o alemão oferece uma palavra que o português não tem: doch, para contrariar uma pergunta negativa.

Estilo e pormenores

Escrita, tom e estilo

11 temas

O que fica para o fim não é difícil, é invisível. As partículas modais — doch, mal, ja, eben — não significam nada no dicionário e decidem se uma frase é uma ordem ou um convite; o português faz esse trabalho com o tom, com «então», «lá», «pois» e com os diminutivos. A formação de palavras, essa, é onde o português mais ajuda: -ung é «-ção», -heit e -keit são «-dade», e nas duas línguas esses sufixos dão femininos, portanto o género de milhares de palavras vem de graça. Ficam três sistemas que correm ao contrário: os números abaixo de cem, a hora com halb, e a maiúscula de todos os substantivos.