Die ganze Grammatik
121 Themen in 15 Bereichen. Jedes Thema hat eine Stufe, eine Erklärung auf Deutsch, Beispielsätze mit Übersetzung, den typischen deutschen Fehler und eigene Übungen.
Als Lernpfad, durchnummeriertAls Karte: die Zeitformen auf einer Zeitleiste
Os quatro casos
9 ThemenO português marca o caso só nos pronomes: eu e «me», «ele» e «lhe». Em tudo o resto, o trabalho que um substantivo faz na frase vê-se pelo sítio onde está e pela preposição. «O cão morde o homem» e «o homem morde o cão» usam as mesmas palavras e dizem o contrário, e a única diferença é a ordem. O alemão marca o trabalho no artigo, e depois de marcado pode dar-se ao luxo de mudar o substantivo de sítio. É toda a troca, e vale a pena dizê-lo já no início, porque quase toda a dificuldade desta secção vem daí: há quatro casos para que a ordem das palavras possa levar a ênfase em vez da gramática.
O substantivo: género, plural, compostos
9 ThemenO português pede uma coisa ao aprender um substantivo: o género, e quase sempre é a terminação que o diz. O alemão pede duas — qual dos três géneros e qual das nove terminações de plural — e nenhuma delas se deduz da palavra com fiabilidade, por isso ambas se aprendem com ela. A boa notícia está no fim desta secção: o alemão constrói substantivos novos colando velhos, sem hífen e sem limite, de modo que quem sabe desmontar uma palavra comprida consegue ler palavras que ninguém lhe ensinou.
Os artigos
7 ThemenO português tem quatro artigos definidos e quatro indefinidos, e variam em género e número. O alemão tem duas séries de dezasseis casas cada uma, porque é no artigo que vive o sistema de casos. Não é um enfeite à frente do substantivo: é a sua etiqueta gramatical. As duas séries distinguem-se num ponto instrutivo. O artigo definido marca cada casa o suficiente para se ler; o indefinido tem três casas sem terminação nenhuma — ein Mann, ein Kind — e é justamente esse vazio que um adjectivo vem preencher. Aprender onde ein nada diz é, portanto, aprender também porque existem as terminações do adjectivo.
Os pronomes
9 ThemenOs pronomes são o único sítio onde o português ainda marca a função pela forma: «eu» e «me», «ele» e «lhe». Os pronomes alemães fazem o mesmo em quatro casos, o que faz deles a entrada mais fácil no sistema de casos: a ideia já é conhecida e novo é apenas o número de formas. Há porém uma diferença que não é de forma mas de lugar. Os pronomes átonos portugueses encostam-se ao verbo e mudam de lado conforme o que vem antes; os pronomes alemães são palavras inteiras com um lugar próprio no centro da frase, e esse lugar não é junto ao verbo. Dois pronomes não têm correspondente nenhum: man, que o português resolve com o «se» impessoal ou com «a gente», e es, que ocupa um lugar de sujeito onde o português simplesmente não põe nada.
O verbo: presente e radical
11 ThemenUm presente português tem seis formas e seis terminações, e ainda por cima três conjugações. O alemão tem seis formas e cinco terminações distintas, as mesmas cinco em quase todos os verbos da língua: por este lado o trabalho é menor, não maior, e ao fim de duas semanas deixa-se de pensar nele. A atenção é precisa noutro sítio. O alemão não tem forma progressiva, portanto «trabalho» e «estou a trabalhar» são a mesma frase. O sujeito nunca se pode omitir, mesmo quando a terminação o diria sozinha. Sein e haben são irregulares e fazem falta duas vezes, como verbos e como máquina do passado — e aqui o português não ajuda nada, porque usa «ter» para todos os tempos compostos e não conhece a escolha de auxiliar. E há uma família de verbos cujo prefixo se vai embora para o fim da frase, coisa para que o português não oferece modelo nenhum.
Os tempos verbais
9 ThemenO alemão tem seis tempos no papel e um conjunto muito mais pequeno na fala. O presente cobre o presente e quase todo o futuro. O Perfekt cobre quase todo o passado. O Präteritum escreve-se mais do que se fala, salvo num punhado de verbos onde acontece o contrário. Quem vem do português procura aqui a diferença entre «vi» e «tenho visto» e não a encontra: Ich habe ihn gesehen é as duas coisas, e quem decide é a frase portuguesa, não a alemã. Largar cedo essa expectativa poupa muito trabalho.
Os verbos modais
7 ThemenO alemão tem seis verbos modais — können, müssen, dürfen, sollen, wollen, mögen — e a mecânica é a portuguesa: o modal conjuga-se, o verbo principal fica no infinitivo. Duas coisas são diferentes. O infinitivo vai para o fim da frase e não leva nada à frente: onde o português diz «tenho de ir» ou «começo a perceber», o alemão não põe nem zu nem qualquer outra palavra depois de um modal — e «ter de» é justamente a construção que se traz de cá e que aqui não existe. E a conjugação tem uma irregularidade que surpreende: as formas de ich e er são iguais e sem terminação. Fica ainda uma divisão que o português não faz: müssen negado não proíbe nada — diz que não é preciso —, e a proibição diz-se nicht dürfen.
A ordem da frase
8 ThemenA ordem das palavras alemã tem uma fama de liberdade que não merece. Uma posição está fixa por completo: o verbo conjugado é o segundo elemento de uma oração principal. Todo o resto se move, e move-se por razões — o que já é sabido vem cedo, o que é novo vem tarde. Também o português arruma por informação e não por casas fixas, portanto essa parte é conhecida; novas são duas. Quando à frente do verbo está alguma coisa que não é o sujeito, o sujeito passa para trás — e não se pode deixar cair como em português, onde a terminação chega. E o material verbal — particípio, infinitivo, prefixo — vai-se embora para o fim da frase, onde o português o tem colado ao auxiliar.
As orações subordinadas
9 ThemenUma subordinada alemã faz duas coisas que o português não faz. Leva sempre vírgula — «acho que ela tem razão» não leva, Ich glaube, dass sie recht hat leva — e manda o verbo conjugado para o último lugar, atrás de tudo o resto. A ordem interna de uma subordinada portuguesa é a de uma principal, portanto não há nada a transpor: é uma construção nova a aprender. Em contrapartida, duas divisões caem certas sozinhas, porque o português as faz iguais: um … zu contra damit é «para» contra «para que», e trotz contra obwohl é «apesar de» com um nome contra «embora» com uma oração. O que falta é uma distinção: o «se» português cobre ao mesmo tempo ob e wenn.
As preposições
8 ThemenEm português uma preposição é só uma palavra: «com a mesa», «sem a mesa», «para a mesa» — a mesa não muda. Em alemão cada preposição manda num caso, e esse caso muda o artigo que vem a seguir. Aprender mit não é aprender uma palavra mas uma palavra e um caso, e quem aprender só a palavra terá de refazer metade mais tarde. As contracções, essas, o português conhece-as melhor do que o alemão: «no», «na», «do», «ao» são obrigatórias, ao passo que im, am, zum são facultativas. O que falta é a divisão: «a» e «para» cobrem sozinhas o que o alemão reparte por nach, zu, in e auf, e «em» cobre o que o alemão reparte por in, an e auf.
Os adjectivos
9 ThemenO português concorda o adjectivo com o nome sempre e em toda a parte: «a casa bonita», «a casa é bonita». O alemão reparte isso de uma maneira que ao princípio parece ao contrário. Depois de sein o adjectivo não leva absolutamente nada — Die Wohnung ist teuer, sem marca de género nem de número — e à frente de um nome a terminação existe, mas não depende só do nome: depende do que está à frente do adjectivo. O princípio é novo e simples: o adjectivo diz o que o artigo não disse. E há uma simplificação que se agradece: o alemão não tem «-mente». O mesmo schnell serve para «rápido» e para «rapidamente», sem se acrescentar nada.
A negação
6 ThemenO português nega com uma palavra só posta à frente do verbo: «não tenho tempo», «não vem». O alemão faz duas coisas diferentes. Reparte o trabalho entre kein e nicht conforme o que se nega — um nome leva kein, tudo o resto nicht — e põe o nicht tarde, quase no fim da frase, e não à frente do verbo. E há um terceiro ponto em que o português leva directamente ao erro: o português exige a dupla negação, «não vi ninguém», e o alemão proíbe-a. Uma negação por oração, e duas anulam-se. Em troca o alemão oferece uma palavra que o português não tem: doch, para contrariar uma pergunta negativa.
A passiva
6 ThemenEste é o capítulo em que o português paga finalmente a dívida de «ser» e «estar». O alemão tem duas passivas e separa-as exactamente igual: Die Tür wird geschlossen é um processo — «a porta é fechada», alguém a está a fechar — e Die Tür ist geschlossen é um estado — «a porta está fechada». Quem sofreu essa distinção na própria língua tem-na aqui de graça, e vale a pena dizê-lo porque o inglês e o francês não a têm e para eles é o ponto mais difícil do capítulo. O que é preciso aprender é a mecânica: werden leva o tempo, o particípio nunca muda, e no Perfekt aparece worden e não geworden.
O conjuntivo alemão
6 ThemenUm português chega aqui com um conjuntivo grande e muito trabalhado — presente, imperfeito, futuro — e convém dizer logo que o alemão o usa de outra maneira. O Konjunktiv II é o irreal e a cortesia — «se tivesse tempo, ia» — e aí há uma diferença de mecânica que custa: o português usa duas formas diferentes nas duas metades, imperfeito do conjuntivo e condicional, enquanto o alemão usa a mesma nas duas. O Konjunktiv I, esse, não tem equivalente nenhum: é uma forma que marca uma frase como dita por outro sem tomar posição sobre se é verdade, e o português resolve com «disse que» e o indicativo. Uma boa notícia, porém: a cortesia funciona exactamente igual, porque «queria» e «gostaria» são ich hätte gern.
O acabamento
8 ThemenO que fica para o fim não é difícil, é invisível. As partículas modais — doch, mal, ja, eben — não significam nada no dicionário e decidem se uma frase é uma ordem ou um convite; o português faz esse trabalho com o tom, com «então», «lá», «pois» e com os diminutivos. A formação de palavras, essa, é onde o português mais ajuda: -ung é «-ção», -heit e -keit são «-dade», e nas duas línguas esses sufixos dão femininos, portanto o género de milhares de palavras vem de graça. Ficam três sistemas que correm ao contrário: os números abaixo de cem, a hora com halb, e a maiúscula de todos os substantivos.