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Die ganze Grammatik

121 Themen in 21 Bereichen. Jedes Thema hat eine Stufe, eine Erklärung auf Deutsch, Beispielsätze mit Übersetzung, den typischen deutschen Fehler und eigene Übungen.

Als Lernpfad, durchnummeriertAls Karte: die Zeitformen auf einer Zeitleiste

Ser e ter

4 Themen

Dois verbos seguram as primeiras semanas: essere e avere. Ambos são completamente irregulares, ambos voltam depois como auxiliares em todos os tempos compostos, e ambos se sabem de cor antes de qualquer regra. A idade e a fome vão com avere, tal como com « ter »: ho vent'anni é « tenho vinte anos », palavra por palavra. Três coisas é que dão trabalho. O sujeito cala-se, e sono quer dizer ao mesmo tempo « sou » e « são ». O « há » invariável passa a duas formas que concordam. E o auxiliar reparte-se por dois verbos, coisa de que o português se livrou há séculos.

O presente

6 Themen

Um verbo italiano acaba em -are, -ere ou -ire, e daí dependem as suas seis terminações. O sistema é o seu: três conjugações, seis pessoas, e o sujeito que se cala porque a terminação já diz quem fala. O que muda não é a gramática mas a boca. O português europeu fecha e engole as vogais átonas, e as terminações italianas são justamente vogais átonas — só que aqui elas são a gramática, e engoli-las apaga a pessoa. parlo, parli, parla, parlano distinguem-se apenas por essa última vogal, que tem de sair inteira e clara.

Os artigos

5 Themen

O português tem quatro artigos definidos — o, a, os, as — e nenhum deles depende do que vem a seguir: escreve-se « o amigo » e « o estudante » sem hesitar. O italiano tem sete, e o que os escolhe não é só o género mas *o som com que começa a palavra seguinte*: il libro, mas lo studente e l'amico. É uma regra de boca disfarçada de regra de gramática, e é a primeira coisa deste idioma que é preciso praticar em vez de compreender. Em compensação, no resto o português está do lado italiano: também põe artigo antes de países, de línguas e do próprio corpo — e põe-no ainda antes dos nomes das pessoas, onde o italiano já não chega.

O nome

9 Themen

Um nome italiano acaba quase sempre em vogal, e essa vogal diz duas coisas ao mesmo tempo: o género e o número. -o é masculino, -a feminino, e no plural passam a -i e -e. A primeira metade é sua e não custa nada. A segunda é onde está o trabalho, e é maior do que parece: o português tem o sistema de plurais mais elaborado das línguas desta casa — -ões, -ães, -ãos, -is, -ns, sem contar as exceções — e nada disso serve aqui. Uma troca de vogal substitui o conjunto inteiro.

Os adjetivos

5 Themen

Quase tudo já é seu. O adjetivo italiano concorda em género e número e tem quatro formas (rosso, rossa, rossi, rosse) ou duas (grande, grandi), tal como « vermelho, vermelha, vermelhos, vermelhas » e « grande, grandes ». Vai atrás do nome por omissão, e uns poucos adjetivos curtos vão à frente e mudam de sentido ao fazê-lo — « um grande homem » e « um homem grande » dizem-se igual nas duas línguas. O que é preciso acrescentar é pouco e está bem localizado: o italiano não tem adjetivos acabados em consoante, o « que » da comparação passa a di, e os superlativos eruditos que o português forma com outra raiz aqui formam-se todos do mesmo modo.

Os pronomes

6 Themen

Aqui há uma coisa grande a desmontar e várias pequenas a reconhecer. A grande é a posição: o português europeu prende o pronome ao verbo com um hífen — « vejo-o », « diz-me » — e o italiano põe-no sempre à frente do verbo conjugado, solto: lo vedo, mi dice. As pequenas são boas notícias: o artigo antes do possessivo é o seu — « o meu livro » é il mio libro —, as duas séries de pronomes existem igualmente, e as suas contrações « mo », « to », « lho » correspondem uma a uma a me lo, te lo, glielo.

Perguntas e negação

5 Themen

Este capítulo é quase todo seu. A pergunta tem a mesma ordem da afirmação e reconhece-se pela voz; a negação é uma palavra à frente do verbo; e a dupla negação é obrigatória nas duas línguas, com a mesma regra e as mesmas duas metades — « não tenho nada » é non ho niente, peça por peça. O que é preciso largar são três hábitos bem localizados: o « é que » que se põe em quase todas as perguntas, o « não » repetido no fim da frase, e as quatro grafias de « porque », que aqui são uma só.

O passado

6 Themen

O italiano conta o passado com o passato prossimo: auxiliar mais particípio, ho mangiato. A construção é a de « tenho comido », e é aí que está a armadilha, porque não é o mesmo tempo. Em português o composto conta uma ação repetida ou continuada até agora; em italiano conta um facto acabado. O que o português diz com « comi », o italiano diz com ho mangiato — e a forma simples que se parece com « comi », mangiai, retirou-se para os livros e para a metade sul do país. A isso juntam-se duas peças que o português não tem: o auxiliar nem sempre é o mesmo verbo, porque o movimento, a mudança de estado e todos os reflexivos vão com essere, e depois de essere o particípio concorda com o sujeito, è andata. O imperfeito é seu por inteiro.

O futuro

9 Themen

O futuro simples existe nas duas línguas e nas duas recuou da fala. O que ocupou o lugar não é o mesmo: em português é « vou » mais infinitivo, e em italiano é o presente simples com uma marca de tempo — domani parto. A sua perífrase não tem aqui equivalente nenhum, e não vale traduzi-la à letra: andare a mais infinitivo quer dizer levantar-se e ir fazer alguma coisa, e stare per é só o minuto seguinte. Em troca, o futuro italiano ficou com um trabalho que o seu faz pouco: supor sobre o presente. Saranno le otto é « devem ser oito horas », e na língua falada esse é o seu emprego mais frequente. Ao lado dele está o condizionale, que carrega a delicadeza: vorrei em vez de voglio é a diferença entre um pedido e uma ordem.

Pedir e mandar

4 Themen

O imperativo italiano é o presente sem sujeito, com uma troca de vogais para decorar: nos verbos em -are a forma de tu acaba em -aparla! — e nas outras em -i. A repartição por pessoas é quase a sua, forma de cortesia incluída, que aqui como aí sai do conjuntivo: Scusi!, Senta!, Aspetti! O que muda a sério é o ponto em que o pronome se encosta ao verbo. As duas línguas mexem no verbo nesse ponto, e mexem em sentidos contrários: o português tira-lhe uma letra e mete um hífen — « faz » mais « o » dá « fá-lo », « diz » mais « o » dá « di-lo » — e o italiano solda tudo numa palavra só e dobra a consoante do pronome: fallo, dillo, dammi. E na forma de cortesia o pronome nem se junta: fica à frente, solto, mi dica.

Poder, dever, querer

9 Themen

Os quatro verbos são seus: potere, dovere, volere e sapere, irregulares mas completos, com o infinitivo nu atrás — posso venire é « posso vir ». sapere e conoscere repartem o terreno como « saber » e « conhecer », so nuotare incluído. O que não é seu é uma peça que o português usa sem dar por isso: o infinitivo pessoal. « É preciso saíres cedo » traz a pessoa dentro do infinitivo, e o italiano não tem nada assim — bisogna só aceita um infinitivo sem dono, e quando a pessoa tem de aparecer é preciso abrir uma oração com che e um congiuntivo: bisogna che tu esca presto. Duas coisas mais, mais pequenas: « ter de » passa todo por dovere, e no passado o auxiliar vem do verbo de trás.

As palavras pequenas

5 Themen

As preposições não se traduzem: aprendem-se coladas à palavra de que dependem. E aqui, ao contrário do que costuma acontecer, o português chega com mais peças do que precisa. Contrai com « o » e com « a », contrai « em » e « por », contrai até os demonstrativos — « neste », « daquele » — e o italiano fica-se por cinco preposições: a, di, da, in, su. per não contrai nunca, ao contrário do seu « pelo ». O trabalho não está portanto na contração em si, que é um gesto seu, mas no que vai lá dentro: o artigo italiano tem sete formas e escolhe-se pelo som da palavra seguinte, de modo que é preciso acertar em lo stadio antes de poder escrever allo stadio. Ao lado disso há da, a preposição que o português reparte por « de », « há » e « a casa de ».

Tratar por tu e tratar por si

4 Themen

A terceira pessoa já é sua: « o senhor deseja », « a Maria já jantou? » conjugam-se como « ele deseja » e « ela jantou », e o Lei italiano faz o mesmo — Lei parla tem o verbo de lui. O que muda é por onde entra a delicadeza. O português europeu resolve-a nomeando a pessoa: o cargo, o título, o nome próprio, e o pronome fica de fora justamente porque « você » soa arriscado com um desconhecido. O italiano faz o contrário: tem um pronome, Lei, que não tem nada de arriscado, e depois não o diz, porque nenhum sujeito se diz. Dirigir-se a alguém pelo nome — Giovanni ha già cenato? — não é delicado aqui, é falar dele para outra pessoa.

Os verbos com si

4 Themen

Os verbos reflexos são seus e o si impessoal também: « aqui vendem-se jornais » é qui si vendono giornali, com a mesma concordância. O que não é seu está no meio deste capítulo e é a construção mais usada de todas. « Gosto de café » tem a pessoa como sujeito e leva uma preposição; mi piace il caffè não tem nem uma coisa nem outra. O sujeito é o café, a pessoa passa a objeto indireto, e o di que a mão portuguesa quer pôr não existe em lado nenhum da frase. Duas alterações de uma vez, e uma delas — a preposição — é daquelas que se escrevem sem se dar por elas.

A passiva

4 Themen

A passiva faz-se com essere e um particípio que concorda: la lettera è stata scritta. O agente entra com da, onde o português põe « por ». A construção com si é a sua, concordância incluída — si vendono case é « vendem-se casas ». O que não tem correspondência é o meio do capítulo. O português distingue o processo do estado com « está a ser fechada » contra « está fechada », uma perífrase de três palavras; o italiano não tem essa perífrase e resolve o mesmo com um verbo: viene chiusa contra è chiusa. E há um terceiro verbo, andare, que é uma passiva com um « tem de » já lá dentro.

O congiuntivo

4 Themen

O conjuntivo é seu e está igualmente vivo, com quase os mesmos gatilhos: voglio che, benché, prima che, senza che. Muda uma regra conhecida — penso che e credo che pedem o congiuntivo já na afirmativa, onde o português diz « acho que é » com indicativo — e muda uma coisa maior, que se nota pouco e custa muito. Quando os dois sujeitos são diferentes, o português continua a poder usar um infinitivo, porque o seu infinitivo se conjuga: « antes de saíres », « sem eles saberem ». O italiano não tem essa saída. Sujeito diferente quer dizer che e congiuntivo, sem alternativa: prima che tu esca.

As condicionais

7 Themen

Os três pares são quase os seus: « se chover, fico », « se tivesse tempo, iria », « se tivesse sabido, teria vindo ». Duas coisas mudam, e a segunda é a que apanha toda a gente. A primeira: na condição provável o português põe o futuro do conjuntivo — « se chover » — e o italiano põe o presente do indicativo, se piove, ou o futuro, se pioverà. A segunda é a mais cara. Na fala, o português troca o condicional por um imperfeito e diz « se tivesse tempo, ia », mantendo o conjuntivo à frente. Em italiano essa troca não existe pela metade: quem põe venivo no lugar de verrei arrasta a outra metade consigo, e a frase inteira sai da língua cuidada.

Ligar frases

4 Themen

A armação é a sua: che faz de « que » para sujeito e objeto, nunca se pode omitir, e depois de uma preposição aparece cui. Dentro dessa semelhança há duas peças diferentes, e a segunda é a que se escreve mal. A primeira: onde o português muda para « quem » quando se trata de pessoas, o italiano usa cui para pessoas e para coisas. A segunda é o « cujo ». Concorda com o que é possuído nas duas línguas — nisso estão de acordo — mas o italiano põe ainda um artigo pelo meio: « cuja casa » é la cui casa, e cui casa não existe.

O discurso indireto

5 Themen

A concordância de tempos é a sua: verbo introdutor no presente e nada se mexe, verbo introdutor no passado e tudo recua um passo. Dice che è stanco contra Ha detto che era stanco. Onde as duas línguas se separam é na ordem transmitida, e a diferença é uma preposição. O português diz « disse-me para esperar », com « para »; o italiano diz mi ha detto di aspettare, com di. E como per existe em italiano e quer dizer « para », a troca sai sozinha e produz uma frase que ninguém diz. A segunda diferença está na pergunta transmitida: depois de se no passado, o italiano escrito prefere o congiuntivo, onde o português fica no indicativo.

O que vem a seguir a um verbo

8 Themen

A máquina é a sua: dois verbos seguidos, o segundo no infinitivo, e pelo meio nada, a ou divoglio partire, comincio a partire, decido di partire. Os grupos até se reconhecem, porque « começar a », « aprender a » e « deixar de » caem onde seria de esperar. O que falta é outra coisa, e é justamente a peça de que o português mais se serve: o infinitivo pessoal. « Depois de comermos », « é fácil eles perceberem », « sem sabermos » — um infinitivo que se conjuga não existe em italiano, e sempre que a frase portuguesa mete uma pessoa no infinitivo é preciso reconstruí-la, ou em torno do sujeito do verbo principal, ou com uma oração inteira. É esse o trabalho deste capítulo; as listas de preposições são a parte fácil.

O acabamento

8 Themen

Nada disto decide uma frase e tudo decide a impressão. Para quem chega do português há aqui três boas notícias e uma que dá trabalho. As boas: molto faz exatamente o que « muito » faz, com a mesma regra e o mesmo teste; a pontuação é quase toda a sua, vírgula decimal e ponto de milhar incluídos; e o acento que separa e de è é o mesmo que separa « e » de « é », apenas inclinado para o outro lado. A que dá trabalho é o pronome: em português ele muda de lugar conforme o que vem antes — « comi-a », « já a comi », « não a comi » — e em italiano, diante de um verbo conjugado, fica sempre à frente, sem hífen e sem exceções.