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O bairro do Jaime
Un guía turístico enseña desde hace veinte años el mismo barrio antiguo — y ahora cuenta otra historia sobre él.
Un texto reflexivo sobre el viaje y sus consecuencias. Fíjate en las formulaciones prudentes (talvez, de certa forma, não deixa de), en la condición irreal del pasado y en pedir que + conjuntivo.
Há vinte anos que o Jaime mostra o mesmo bairro a quem vem de fora. Conhece cada escada, cada esquina, cada janela onde, há uns anos, uma vizinha punha a roupa a secar e dizia olá a quem passava. Durante muito tempo, era essa a parte preferida do passeio: não eram as igrejas, não eram as vistas, mas a sensação de entrar, por uma hora, na vida de outras pessoas.
Hoje, diz ele, essa sensação é cada vez mais difícil de oferecer. Muitas das vizinhas já não moram lá. As rendas subiram tanto que boa parte dos moradores teve de ir viver para longe do centro, e os apartamentos passaram a ser alojamento local. As janelas continuam lá, mas quase nunca têm roupa; a pequena loja onde se comprava pão e fruta vende agora presentes para quem vem de fora.
O Jaime não fala disto com raiva. Sabe que vive, de certa forma, do mesmo movimento que critica, e não deixa de o dizer às pessoas que acompanha. « Se alguém me tivesse dito, há vinte anos, que eu ia mostrar um bairro onde quase ninguém mora, eu teria rido », diz.
Mudou, por isso, a maneira de fazer o passeio. Em vez de contar só a história das igrejas, conta também a das pessoas que saíram. Leva quem vem com ele à última loja de bairro que ainda está aberta, fala-lhes da dona, explica-lhes porque é que ela ainda abre todos os dias. Pede que falem baixo nas escadas, que não entrem nos pátios, que comprem alguma coisa onde puderem.
Há quem diga que é um passeio triste. A maioria, segundo ele, agradece. Talvez porque, no fundo, quem passa uns dias num lugar novo também quer perceber onde está, e não só tirar fotografias. Ou talvez porque, como diz o Jaime, um bairro não é aquilo que se vê das janelas, mas aquilo que acontece dentro delas.
Há vinte anos que o Jaime mostra o mesmo bairro a quem vem de fora. Antes, a parte preferida do passeio era a sensação de entrar na vida de outras pessoas: as vizinhas, a roupa nas janelas, as pequenas lojas.
Hoje, muitas vizinhas já não estão lá. As rendas subiram muito e muitos moradores foram viver para longe do centro. Os apartamentos são agora alojamento local. A pequena loja de pão vende agora presentes.
O Jaime não fala disto com raiva. Ele também vive das pessoas que vêm ao bairro, e diz isso a quem vem com ele.
Por isso, mudou o passeio. Agora conta também a história das pessoas que saíram. Leva todos à última loja de bairro. Pede que falem baixo nas escadas e que comprem alguma coisa nas lojas.
Há quem diga que o passeio é triste, mas a maioria agradece. Para o Jaime, um bairro não é aquilo que se vê das janelas, mas aquilo que acontece dentro delas.
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Gramática en este texto
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Se alguém me tivesse dito · eu teria rido
Condición irreal del pasado: se alguém me tivesse dito … eu teria rido — si alguien me lo hubiera dicho, me habría reído. La condición irreal del pasado →
de certa forma · não deixa de o dizer · Talvez porque
Formulaciones prudentes: de certa forma, talvez porque, não deixa de o dizer (no deja de decirlo). Matizar y suavizar →
Pede que falem baixo · que não entrem nos pátios
Después de pedir que va el conjuntivo: pede que falem baixo, que não entrem, que comprem. Cuándo va el conjuntivo →
Las listas de palabras de este texto
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Preguntas de comprensión
5 preguntas sobre el texto. Con cada respuesta aparece la frase en la que está: una pregunta cuya respuesta no se encuentra en el texto no evalúa nada.
1. Qual era antes a parte preferida do passeio?
Lê o fim do primeiro parágrafo.
Procura a palavra « preferida ».
a sensação de entrar, por uma hora, na vida de outras pessoas
2. Porque saíram muitos moradores do bairro?
Lê o segundo parágrafo.
Procura a palavra « rendas ».
As rendas subiram tanto que boa parte dos moradores teve de ir viver para longe do centro
3. Como fala o Jaime destas mudanças?
Lê o terceiro parágrafo.
Procura a palavra « raiva ».
O Jaime não fala disto com raiva.
4. O que pede o Jaime a quem vem com ele?
Lê o quarto parágrafo.
Procura o verbo « pedir ».
Pede que falem baixo nas escadas
5. O que é um bairro, segundo o Jaime?
Lê a última frase.
Procura a palavra « bairro » no fim.
um bairro não é aquilo que se vê das janelas, mas aquilo que acontece dentro delas