C2 · 44 palavras
História da arte: como se interroga um quadro
De quem é a mão, por que mãos passou e o que mostra: as palavras de uma ficha de catálogo alemã.
Em português atribui-se uma obra a alguém, e a preposição faz todo o trabalho. Em alemão esse trabalho é do caso. Zuschreiben leva dois complementos sem preposição nenhuma: o pintor vai para o dativo e o quadro para o acusativo, man schreibt das Bild einem Schüler zu, atribui-se o quadro a um discípulo. O que engana o leitor português é esse zu no fim da frase, que parece a preposição « a » perdida pelo caminho. Não é: é o prefixo separável do verbo, que numa oração principal salta para o fim e que no particípio fica colado, zugeschrieben. A pessoa a quem se atribui reconhece-se pelo artigo, dem Meister, einem Schüler, der Werkstatt, e, quando é um nome próprio sem artigo, só pela construção: Das Bild wird Rembrandt zugeschrieben. Na passiva o dativo fica onde estava e o quadro passa a sujeito, e é assim que escrevem as tabelas de museu e os catálogos de leilão. A fórmula deixa em aberto precisamente aquilo que eigenhändig, da mão do próprio artista, afirmaria.
As palavras
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Escolha e lacunas, exatamente com estas 44 palavras. O que errar volta amanhã.