Aprender inglês: perguntas frequentes
34 perguntas que se fazem mesmo ao aprender inglês, com respostas que se aguentam sozinhas. Onde há mais a dizer, a ligação vem por baixo — não em vez da resposta.
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Por onde começar, quanto tempo demora, que inglês aprender e o que significam os níveis.
Como se começa a aprender inglês?
Com três coisas ao mesmo tempo, não uma a seguir à outra: o presente e o passado dos verbos de todos os dias, as primeiras palavras de uso constante e o hábito de dizer frases inteiras em voz alta. Esta última pesa mais em inglês do que noutras línguas, porque a escrita inglesa não diz com segurança como soa uma palavra: quem só estuda no papel constrói uma pronúncia que depois tem de desfazer. E quem aprende primeiro toda a gramática e só depois o vocabulário passa meses sem nada para dizer; quem só aprende palavras acaba a recitar listas.
O que significam A1, A2, B1, B2, C1 e C2?
São os degraus de uma escala europeia, das primeiras frases (A1) ao domínio sem esforço (C2). As siglas podem usar-se livremente; as descrições oficiais de cada nível estão protegidas por direitos de autor, e este site não as reproduz de propósito. O que aqui está é uma classificação própria da matéria, com um critério declarado: não se pergunta quão difícil é uma palavra, mas a partir de quando já não se avança sem ela. grandmother é comprida e está no A1, porque toda a gente tem uma avó; to entail é curta e está lá em cima, porque se passam anos sem precisar dela.
Quanto tempo demora a aprender inglês?
Não há um número honesto em horas, e o site que apresenta um como facto inventou-o: depende do que já se sabe, de quanto se pratica e daquilo para que se precisa da língua. Duas coisas, porém, podem dizer-se. Quem fala português parte com vantagem na leitura, porque boa parte do vocabulário culto do inglês vem do latim ou do francês — important, necessary, possible, information — e reconhece-se à primeira. E o que mais custa costuma ser o ouvido: perceber o inglês falado fica durante bastante tempo atrás de o ler, e isso é normal, não um sinal de que algo está a correr mal.
O inglês é difícil para quem fala português?
Na gramática, menos do que parece: o verbo quase não se conjuga (I work, you work, we work), o adjetivo não muda e o substantivo não tem género, por isso desaparece boa parte do que custa no português. A dificuldade está noutro lado. Na pronúncia, que não se deduz da escrita; nos tempos verbais, que se parecem com os portugueses sem coincidirem — o Present Perfect sobretudo; nas preposições, que se aprendem juntamente com a palavra que as pede; e nos phrasal verbs, que não têm equivalente. Convém sabê-lo desde o início para não medir o progresso só pela gramática.
Inglês britânico ou americano?
Primeiro um dos dois, com coerência; qual, pouco importa — misturados soam estranhos. As diferenças de gramática são poucas e concretas; as de vocabulário são mais e aparecem todos os dias: flat e apartment, lift e elevator, petrol e gas. Também muda a ortografia de algumas famílias de palavras: colour e color, centre e center. Este site escreve em inglês britânico e indica a forma americana onde ela é diferente.
Gramática
Os pontos em que o inglês mais costuma baralhar quem fala português.
Quando se usa o Simple Past e quando o Present Perfect?
O Simple Past quando interessa o momento e esse momento já acabou: I saw her yesterday. O Present Perfect quando o resultado chega até agora ou o período ainda está aberto: I have seen her. A armadilha para quem fala português é a forma: «tenho visto» parece o Present Perfect e não é — quer dizer uma ação repetida até agora, como em «tenho trabalhado muito», que em inglês é I’ve been working a lot. I have seen her diz-se em português «já a vi», com um pretérito perfeito simples. Por isso a pergunta fiável é outra: há, ou podia haver, uma indicação de tempo já terminada — yesterday, last week, in 2019? Então, Simple Past. E «já» e «ainda não» apontam muitas vezes para o Present Perfect: I’ve already eaten, I haven’t eaten yet.
since ou for? E como se diz «vivo aqui há três anos»?
since indica o ponto de partida e for, a duração: since 2019, mas for three years. Em português as duas ideias repartem-se entre «desde» e «há» («desde 2019», «há três anos»), e o verbo fica no presente: «vivo aqui há três anos». O inglês não aceita esse presente: o que começou no passado e continua agora vai para o Present Perfect, I have lived here for three years. E atenção ao «há», que tem dois sentidos: com o presente é uma duração (for three years), com o passado é um momento — «cheguei há três anos» é I arrived three years ago.
Quando se diz will e quando going to?
going to quando a decisão já está tomada ou algo se vê chegar: Look at those clouds — it’s going to rain. will quando se decide no momento em que se fala, e em ofertas e promessas: I’ll help you with that. O português falado usa «ir + infinitivo» para quase tudo, e por isso a semelhança com going to engana: só serve quando a decisão já estava tomada. Para se oferecer, o português usa muitas vezes o presente — «deixa, eu atendo», «ligo-te amanhã» —, e em inglês o presente não serve para isso: diz-se I’ll get it e I’ll call you tomorrow.
Quando vem -ing e quando vem to depois de outro verbo?
Depende do verbo que vem antes, e não há uma regra que funcione sempre: é uma lista. enjoy, avoid, finish, suggest pedem -ing; want, decide, hope, promise pedem to. O português empurra para o infinitivo, porque é a forma que põe a seguir a outro verbo — «evito conduzir» —, e daí sai I avoid to drive, que está errado: I avoid driving. O mesmo depois de uma preposição: «antes de sair» é before leaving, «sem dizer nada» é without saying anything. Alguns verbos aceitam as duas formas e mudam de sentido, e aí o português ajuda: I stopped smoking é «deixei de fumar»; I stopped to smoke, «parei para fumar».
Como se formam as frases com if?
Há três tipos básicos e um caso especial. O tipo 1 fala de algo possível (If it rains, we’ll stay in), o tipo 2 de algo pouco provável ou imaginado (If I had more time, I would come), o tipo 3 de algo que já não tem remédio (If I had known, I would have called). A armadilha do tipo 1 vem do futuro do conjuntivo: o português tem aqui uma forma própria de futuro — «se chover», «quando chegares» — e a tentação é procurar também em inglês um futuro. Mas depois de if e de when o inglês quer o presente: if it rains, when you arrive. Nos tipos 2 e 3, onde o português usa o conjuntivo («se tivesse», «se tivesse sabido»), o inglês usa um simples passado, e would só aparece na outra metade da frase.
make ou do? Em português são ambos «fazer».
É precisamente por isso que custam tanto. Em traços gerais: make quando algo é criado (a decision, a mistake, a cake) e do quando algo é realizado (homework, the shopping, the washing-up). A regra não chega até ao fim, e a partir daí só serve aprender os pares: é um hábito da língua, não uma lógica. E muitas vezes «fazer» não se traduz por nenhum dos dois: «fazer uma pergunta» é ask a question, «fazer uma festa» é have a party e «faço anos amanhã» é it’s my birthday tomorrow. Às vezes o português até ajuda: «tirar uma fotografia» é mesmo take a photo.
Porque é que o inglês precisa sempre de sujeito?
Porque o verbo inglês quase não tem terminações: I work, you work, we work, they work. Em português «trabalhamos» já diz quem trabalha; em inglês, sem o pronome, não se sabe. Por isso o sujeito é obrigatório mesmo quando não há ninguém de quem falar: «está a chover» é it’s raining, «é tarde» é it’s late e «há um problema» é there’s a problem. Is late, sem mais nada, é um dos erros que denunciam logo quem fala português.
Para que serve o do nas perguntas?
Em português uma pergunta pode ser a mesma frase com outra entoação: «Vive aqui?». Em inglês não chega: é preciso um verbo auxiliar antes do sujeito. Se a frase já tem um (is, can, have, will), passa para a frente: Can you swim? Se não tem, entra do, does ou did, que não significa nada e só leva o tempo e a pessoa: Do you live here? Does she work on Saturdays? Did they call? O mesmo na negação: I don’t know, nunca I no know.
Quando leva artigo o inglês e quando não?
Em vários pontos o inglês faz exatamente o contrário do português. Quando se fala de algo em geral, o português põe artigo e o inglês não: «a vida é curta» é life is short, «os cães são fiéis» é dogs are loyal. Antes do possessivo o artigo desaparece: «o meu carro» é my car. E antes de um nome próprio também: «o Pedro chegou» é Pedro has arrived. Com as profissões acontece o inverso: o português dispensa o artigo e o inglês exige-o, «sou enfermeira» é I’m a nurse.
Porque é que se diz information e não informations?
Porque em inglês information não se conta: não tem plural nem leva an. O mesmo vale para advice, news e furniture, que em português se contam ou vêm no plural — «as informações», «uns conselhos», «as notícias», «os móveis». Diz-se portanto some information, a piece of advice, the news is good. Com news o engano é duplo: termina em -s e parece plural, mas o verbo vai no singular.
«Estou a fazer» é sempre a forma em -ing?
Quase sempre, e aqui o português europeu ajuda: «estou a trabalhar» corresponde bem a I’m working, e «trabalho num banco» a I work in a bank. A diferença está em alguns verbos que em inglês descrevem um estado e quase nunca vão para a forma em -ing, mesmo quando o português diz «estou a»: «estou a perceber» é I understand ou I see, e «estou a precisar de ajuda» é I need help. Com like e love passa-se o mesmo; para «estou a gostar muito do livro», o inglês prefere I’m really enjoying the book.
Porque é que o adjetivo vem antes e nunca muda?
Porque em inglês o adjetivo se põe antes do substantivo e não concorda com nada: nem género nem número. «Um carro vermelho» é a red car, e «dois carros vermelhos», two red cars; reds cars não existe. Quando há vários adjetivos, seguem além disso uma ordem bastante fixa — a opinião vem antes da idade e da cor: a beautiful old house, não an old beautiful house. O português, que põe quase sempre o adjetivo depois do nome, não dá aqui nenhuma pista: a ordem aprende-se com exemplos.
Vocabulário e pronúncia
Que palavras vêm primeiro, como as reter e como as dizer.
Quantas palavras de inglês são precisas?
Nenhum número é honesto, porque depende do que se quer fazer e do que conta como saber uma palavra. Duas coisas importam mais do que o total. Uma palavra que se encontra ao falar vale mais do que várias que só se reconhecem ao ler; por isso convém praticar do português para o inglês, e não reler listas. E o que quem fala português reconhece sem esforço é sobretudo o vocabulário culto: to obtain, to continue, to discover. Na conversa do dia a dia diz-se to get, to go on e to find out, que não se parecem com nada do português — e são essas que se devem aprender primeiro.
Que palavras de inglês se aprendem primeiro?
Não as mais interessantes, mas as que aparecem numa frase em cada duas: os verbos be, have, do, go, get, make, as palavras pequenas but, still, already, enough, os números e as horas. Passam despercebidas e seguram meia frase. As listas por temas, como os animais, vêm depois, por muito bonitas que pareçam ao início.
Vale a pena aprender vocabulário por temas?
Sim, depois de se ter as palavras de que qualquer frase precisa. Os temas ajudam de duas maneiras: as palavras de uma mesma situação lembram-se melhor juntas — spoon, fork, knife —, e permitem preparar uma situação concreta antes de ela acontecer: uma ida ao médico, uma casa para ver, uma entrevista de emprego. Só desviam ao início, quando uma lista de animais parece mais proveitosa do que as palavras que seguram uma frase.
Como se memorizam as palavras de vez?
Revendo-as a intervalos cada vez mais longos, e fazendo com que nos perguntem por elas em vez de as lermos. Quem relê uma lista reconhece as palavras; quem é interrogado tem de as ir buscar à memória, e é exatamente esse o processo de que se precisa ao falar. Por isso este site distribui-as por gavetas: o que já se sabe volta ao fim de algumas semanas, o que falha volta no dia seguinte.
O que são os falsos amigos do inglês?
Palavras que parecem portuguesas e significam outra coisa. actually é «na verdade», não «atualmente» (que é currently); push é «empurrar», e «puxar» é pull — um engano que se paga à porta; library é «biblioteca», e a livraria diz-se bookshop; pretend é «fingir», não «pretender» (que é to intend); parents são os pais, e os parentes são relatives; e quem está constipado has a cold, porque constipated é outra coisa. O mais caro aparece nos emails de trabalho: eventually quer dizer «por fim», não «eventualmente».
Como se adivinha o significado de uma palavra inglesa desconhecida?
Muitas vezes pela terminação, e com o português a favor, porque várias se correspondem quase uma a uma: -tion é «-ção» (nation, situation), -ity é «-dade» (possibility, university), -ly é «-mente» (quickly, finally) e -ous é «-oso» (famous, curious). Mesmo sem saber o que significa o resto, a terminação diz se a palavra é um substantivo, um advérbio ou um adjetivo, e isso já arruma a frase. Só é preciso desconfiar dos falsos amigos: a forma coincide, o significado nem sempre.
Porque é que o inglês não se lê como se escreve?
Porque a sua escrita se fixou em grande parte antes de a pronúncia acabar de mudar, e nunca foi reformada a fundo. Por isso as mesmas letras soam de maneira diferente de uma palavra para outra — though, through e tough — e duas palavras escritas de forma diferente podem soar igual, como right e write. O português também tem as suas surpresas, mas quem conhece as regras lê quase qualquer palavra portuguesa; em inglês isso não acontece. A consequência prática é clara: cada palavra nova aprende-se com o seu som, ouvida, e não se deduz das letras.
Como se pratica a pronúncia inglesa?
Não com sons soltos, mas com pares de palavras que só se distinguem num: ship e sheep, full e fool. O inglês separa vogais que para um ouvido português são a mesma, e enquanto não se ouve a diferença não se consegue produzi-la. Alguns hábitos do português notam-se muito e corrigem-se cedo: deixar mudo o h, que em inglês se ouve e distingue hungry de angry e hair de air; trocar o th, que o português não tem, por um t ou um f (think não é «tink» nem «fink»); e ler o -ed do passado como uma sílaba a mais — worked tem uma só sílaba, e o -ed só se ouve à parte depois de t ou d, como em wanted e needed.
O que são os phrasal verbs e porque custam tanto?
São verbos unidos a uma partícula curta — up, out, off, on — que juntos significam algo que não se deduz das peças: give up é «desistir» ou «deixar de», look after é «tomar conta de», turn down é «recusar» ou «baixar» (o volume). O português tem pouco de parecido — «ir embora» é das raras exceções — e onde o inglês junta duas palavras simples costuma ter um verbo próprio. Na conversa do dia a dia o inglês prefere quase sempre o phrasal verb: find out em vez de discover, go on em vez de continue. Aprendem-se como palavras novas, cada um com a sua frase de exemplo.
Os verbos irregulares têm de se decorar?
Sim, mas a tarefa é mais pequena do que em português: um verbo irregular inglês tem três formas e mais nada — go, went, gone —, não uma conjugação inteira como «ir, vou, fui, ia». O problema é que nenhuma regra diz quais são nem como mudam: sing, sang, sung, mas bring, brought, brought. Muitos dos verbos mais frequentes são irregulares, por isso convém começar por eles, em voz alta e com as três formas seguidas.
Como se evita soar a tradução?
Aprendendo em bloco as frases que se usam de facto em inglês, em vez de as construir palavra a palavra a partir do português. Onde o português «tem», o inglês muitas vezes «é»: «tenho fome» é I’m hungry, «tenho frio» é I’m cold, «tenho razão» é I’m right e «tenho vinte anos» é I’m twenty. «Está calor» é it’s hot, e «tanto faz» costuma ser I don’t mind. Nenhuma se deduz das suas partes, e não é preciso: aprendida uma vez como frase, está lá quando faz falta.
Este site
O que custa, o que guarda e o que não é.
É possível começar aqui do zero?
Sim. A gramática começa pela ordem básica da frase, pelo verbo to be e pelo presente; todas as explicações estão em português, e cada tema indica a que nível pertence. Assim é possível ficar no A1 até se sentir seguro e passar ao nível seguinte quando chegar a altura.
Este site é gratuito?
Sim, por completo. Não há conta, nem registo, nem acesso pago; todas as explicações, listas de palavras e exercícios estão abertos. O que um dia poderá passar a ser pago e o que continuará gratuito em qualquer caso está explicado abertamente numa página própria.
Este site guarda os meus dados?
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De onde vem o conteúdo deste site?
Cada explicação, cada frase de exemplo, cada lista de palavras e cada exercício foi escrito de raiz para este site. Não há nada copiado de um manual, de uma gramática, de um dicionário ou de outro site de línguas — nem sequer uma lista de frequências, porque a seleção e a ordem de uma lista estão protegidas, mesmo que as palavras soltas não estejam.
É possível aprender aqui sem ligação à internet?
Sim. O que se abriu uma vez fica no dispositivo, e na página de exercícios há um botão que descarrega antecipadamente o site inteiro; a partir daí tudo funciona sem rede, incluindo os exercícios e o progresso. Só se guardam ficheiros deste site, nada sobre si.
Este site prepara para um exame de certificação?
Não, e não é modéstia, é um facto: não segue o programa publicado de nenhum exame e não é reconhecido por nenhuma entidade certificadora. Explica e pergunta. Quem precisa de um certificado obtém-no junto de uma entidade certificadora; o que aqui se pratica ajuda, mas não o substitui.