C2 · 36 palavras
Direito marítimo
Bandeira, responsabilidade e zonas: o direito num caminho sem fronteiras.
Nas notícias alemãs, um navio retido raramente aparece com o seu nome jurídico. O tribunal ordena den Schiffsarrest, o arresto do navio, mas o título do jornal diz outra coisa: Behörden legen Frachter an die Kette. A locução an die Kette legen é a de quem prende um cão à corrente, e é essa imagem que a imprensa aproveita: o navio fica amarrado ao cais, sem poder largar, até que alguém pague ou preste garantia. Corrente não há nenhuma; o que o segura é uma ordem judicial ou a decisão do Estado do porto. A mesma locução serve em terra: jemanden an die Kette legen é cortar-lhe a liberdade de movimentos, controlar de perto o que faz. O português tem imagens vizinhas — « trazer alguém pela trela », « pôr alguém de rédea curta » —, mas nenhuma serve para um navio. Por isso, ao traduzir uma notícia, a locução alemã não passa como imagem: passa como facto, « o navio foi arrestado » ou « ficou retido no porto ». Num documento jurídico, pelo contrário, só aparece der Schiffsarrest; a corrente é linguagem de jornal. Estas páginas explicam palavras e não substituem o conselho de um jurista.
As palavras
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