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Aprender italiano: perguntas frequentes

27 perguntas que se fazem mesmo ao aprender italiano, com respostas que se aguentam sozinhas. Onde há mais a dizer, a ligação vem por baixo — não em vez da resposta.

Começar

Por onde começar, o que o português ajuda e o que querem dizer os níveis.

Como começar a aprender italiano?

Com quatro coisas ao mesmo tempo, e não uma a seguir à outra: os dois verbos essere e avere, os três conjuntos de terminações do presente, as palavras de uso constante e o hábito de dizer frases inteiras em voz alta. Este último conta mais do que parece para quem fala português: o italiano escrito percebe-se depressa, e é isso mesmo que leva a lê-lo em vez de o dizer. A boca, porém, guarda os hábitos do português — as vogais átonas engolidas, o « s » que chia, as vogais nasais — e só os perde a falar.

A gramática, nível a nível

O italiano é fácil para quem fala português?

No início, sim, mais do que quase qualquer outra língua: o vocabulário reconhece-se, o imperfeito e o conjuntivo existem dos dois lados, e o sujeito cala-se como em português. A dificuldade vem depois, e vem da própria semelhança. O plural não se faz com -s, mas mudando a vogal final — il libro, i libri; la casa, le case. O artigo definido tem sete formas em vez de quatro. O passado composto usa dois auxiliares e não serve para o mesmo que o « tenho feito ». E em todo o lado onde se traduz palavra a palavra sai um italiano que se percebe e soa a português.

O que se consegue fazer em cada nível

O que querem dizer A1, A2, B1, B2, C1 e C2?

São os seis níveis de uma escala europeia, das primeiras frases (A1) ao domínio sem esforço (C2). As siglas são de uso livre; as descrições oficiais de cada nível estão protegidas por direitos de autor, e este site não as reproduz de propósito. O que aqui se encontra é uma arrumação própria da matéria, com um critério declarado: não se pergunta se uma palavra é difícil, mas a partir de quando já não se avança sem ela. la nonna está em A1 porque aparece logo na primeira conversa, e não por se parecer com uma palavra portuguesa.

Os seis níveis em pormenor

Quanto tempo é preciso para falar italiano?

Não há um número honesto, e quem apresenta um como facto inventou-o: depende do que já se sabe, da regularidade com que se pratica e do que « falar » deve querer dizer. Duas coisas podem dizer-se sem risco. Quem fala português percebe o italiano escrito muito antes de o saber produzir, e essa distância não é motivo de preocupação: é a vantagem do parentesco, não um atraso. E o que faz avançar é a regularidade mais do que a duração — um pouco todos os dias vale mais do que uma sessão longa de vez em quando, porque a memória se consolida entre duas revisões.

Como funcionam aqui as revisões

Saber português ajuda mesmo a aprender italiano?

Para perceber, imenso; para falar, menos do que se julga, e às vezes atrapalha. Ajuda porque as duas línguas vêm do latim e partilham grande parte do vocabulário e da gramática: notte e « noite », chiave e « chave », o imperfeito, o conjuntivo. Atrapalha porque dá uma confiança que os pormenores não merecem: adivinha-se uma palavra e erra-se o sentido, ou mantém-se a preposição portuguesa onde o italiano quer outra — vado dal medico para « vou ao médico », in banca para « ao banco », abito a Lisbona para « moro em Lisboa ». Quem também sabe espanhol tem ainda uma terceira língua a meter-se pelo meio. A semelhança é um ponto de partida, não uma regra.

a e in com lugares

Gramática

Os sítios onde o italiano se afasta de um modelo muito parecido com o português.

Quando se usa essere e quando avere no passado?

O português só tem « ter » como auxiliar, e por isso esta é uma escolha nova. A regra curta: essere com os verbos de movimento e de mudança de estado e com todos os verbos reflexos, avere com o resto. Sono andato, è nata, mi sono alzato — mas ho mangiato, ho dormito. Com essere, o particípio concorda com o sujeito, como um adjetivo: sono andata para uma mulher, siamo arrivati para um grupo. E o próprio essere leva essere: « estive em Roma » é sono stato a Roma.

Os verbos que levam essere

Ho mangiato quer dizer « tenho comido »?

Não, e esta é talvez a armadilha mais importante para quem fala português. « Tenho comido » diz que algo se repete ou continua até agora; o passato prossimo diz simplesmente que aconteceu. Ieri ho visto Marco é « ontem vi o Marco » — o pretérito perfeito simples português, não o composto. Na fala do dia a dia, sobretudo no Norte de Itália, é o passato prossimo que ocupa esse lugar. O passato remoto, uma forma simples como o perfeito português (mangiai, « comi »), usa-se sobretudo na narrativa escrita e, em parte do Sul, também na fala. Para dizer o que o « tenho comido » diz, o italiano recorre a outros meios: ultimamente mangio molto.

O passato prossimo com avere

Imperfetto e passato prossimo: é como o imperfeito e o perfeito?

Sim, e é uma das boas notícias do italiano para quem fala português. O imperfetto monta o cenário — o que era habitual, o que estava a acontecer — e o passado dos acontecimentos põe-nos lá dentro: pioveva e sono uscito, « chovia e saí ». A escolha faz-se quase sempre como em português, com uma diferença de forma: onde o português usa o perfeito simples, o italiano falado usa em geral o passato prossimo. E o « estava a fazer » tem equivalente próprio: stavo facendo, com o gerúndio.

Imperfetto e passato prossimo

Porque se diz penso che sia e não penso che è?

Porque o italiano põe o congiuntivo depois dos verbos de opinião, onde o português fica no indicativo: « acho que é verdade » passa a penso che sia vero. No resto, os desencadeadores coincidem muito com os portugueses: spero che venga é « espero que venha », benché sia tardi é « embora seja tarde ». E se fossi ricco, viaggerei é palavra por palavra « se fosse rico, viajaria ». Na fala, sobretudo no Norte, o indicativo ganha terreno depois dos verbos de opinião; na escrita, o congiuntivo continua a ser a norma.

O que pede o congiuntivo

Como se diz « quando puderes » ou « se vieres » em italiano?

Sem o futuro do conjuntivo, que o italiano não tem. Onde o português o usa, o italiano põe o futuro do indicativo, ou o presente quando o futuro está claro: « quando chegares, liga-me » é quando arriverai, chiamami; « se puderes, vem » é se puoi, vieni. Quem traduz a partir do português procura uma forma que não existe e acaba muitas vezes no congiuntivo, que aqui está errado. A regra fica simples de lembrar: depois de quando e de se, o italiano diz o tempo que realmente quer dizer.

O futuro depois de quando e se

Porque se diz mi piace e não io piaccio?

Porque piacere não é « gostar », é « agradar »: o sujeito é o que agrada, e a pessoa é complemento. Mi piace il libro, « o livro agrada-me ». Com « gostar de », o português faz o contrário, e daí vem o erro: no plural muda o verbo e não a pessoa — mi piacciono i libri. Io piaccio também existe, mas quer dizer « eu agrado », que é outra coisa. E no passado piacere leva essere: mi è piaciuta la città.

piacere e a sua família

Porque há sete artigos definidos em italiano?

Porque o artigo depende não só do género e do número, mas também do som que vem a seguir. No masculino singular é il, mas lo antes de s seguido de consoante, de z, gn e ps, e l’ antes de vogal; no plural, i e gli. O feminino é mais simples: la, l’, le. As contrações com preposições, essas, são familiares a quem diz « do », « na » e « pelo »: di + il dá del, in + il dá nel, e só se multiplicam porque os artigos são mais.

il, lo, la e os seus plurais

O que são ne e ci?

Duas partículas que o português não tem e que por isso se esquecem. Ambas substituem algo já dito. Ne retoma uma quantidade ou algo introduzido por di: Quante mele vuoi? Ne voglio due. Em português diz-se só « quero duas »; em italiano, sem o ne, a frase fica coxa. Ci retoma um lugar ou algo introduzido por a: Vai a Roma? Sì, ci vado, onde o português diria « vou » ou « vou lá ». E atenção: ne não tem nada de negação, que se diz non.

ne e ci em pormenor

Onde se põe o pronome: lo vedo ou vedolo?

Lo vedo. Com um verbo conjugado, o pronome vai antes, também na frase afirmativa: lo vedo, non lo vedo, mi chiamo Ana. É o contrário do hábito do português europeu, que diz « vejo-o » e « chamo-me », e por isso custa. No infinitivo e no imperativo, pelo contrário, o pronome cola-se ao fim do verbo, como em português, mas numa só palavra e sem hífen: vederlo, dimmi, alzati.

O complemento direto

Como se trata alguém por « o senhor » em italiano?

Com Lei e o verbo na terceira pessoa do singular, o que para quem fala português é quase natural: Lei è portoghese? corresponde a « o senhor é português? ». A diferença é que Lei serve para toda a gente, homem ou mulher, e que os pronomes o seguem: La ringrazio, « agradeço-lhe ». Para várias pessoas usa-se hoje voi, e dizer voi a uma só pessoa é regional ou antiquado.

As formas de Lei

Vocabulário

Que palavras primeiro, quais enganam e que género têm.

Quantas palavras italianas é preciso saber?

Não há um limiar honesto a indicar, porque tudo depende do que se quer ler ou dizer. O que é certo é que a ordem conta mais do que a quantidade: as palavras mais frequentes voltam em qualquer texto corrente, e as últimas aprendidas quase nunca. Quem fala português tem ainda uma vantagem real: boa parte do vocabulário culto reconhece-se sem ter sido aprendida. O trabalho está sobretudo nas palavras de todos os dias que mais se afastam do português — prendere, cercare, sembrare, subito.

O vocabulário de base

Que palavras italianas parecem portuguesas e querem dizer outra coisa?

Il burro é a manteiga; o animal é l’asino. Squisito quer dizer « delicioso », não « esquisito ». Caldo é « quente », não uma sopa. La cena é o jantar, la tasca o bolso, la tovaglia a toalha da mesa e não a de banho. Salire é « subir », não « sair », e guardare é « olhar », não « guardar ». Estas palavras são mais perigosas do que as desconhecidas, porque ninguém as vai verificar.

Qual é a diferença entre buono e bravo?

O português diz « bom » nos dois casos; o italiano distingue. Buono é bom em si ou de feitio: uma boa refeição, uma boa pessoa. Bravo é bom naquilo que faz: un bravo medico é um médico competente, un buon medico antes um médico bondoso. E não tem nada do « bravo » português do touro ou do mar: sei stato bravo quer simplesmente dizer « portaste-te bem » ou « fizeste um bom trabalho ».

Os adjetivos

Como saber se um nome italiano é masculino ou feminino?

Pela terminação, tal como em português: -o é quase sempre masculino, -a quase sempre feminino, e os nomes em -e aprendem-se um a um. A armadilha é levar o género português para palavras em que ele não coincide: il fiore e « a flor », il ponte e « a ponte », il colore e « a cor », il dolore e « a dor ». As exceções que atrapalham outros aprendentes, essas, não surpreendem: il problema, la mano, la foto têm o mesmo género que em português.

As exceções em pormenor

Pronúncia e regiões

Que italiano se aprende e os sons em que um falante de português mais tropeça.

Que italiano se aprende aqui?

O italiano padrão, o dos jornais, da televisão e da escola, cuja pronúncia assenta na da Toscana sem as particularidades locais. Não é um juízo de valor: é a variedade que toda a gente entende e em que tudo se escreve. Este site não ensina as línguas regionais — napolitano, siciliano, veneziano e as outras —, que não são variantes do italiano mas línguas românicas por direito próprio, vindas do latim como ele e com literatura própria.

Porque é que o meu italiano soa a português?

Quase sempre por causa das vogais. O português europeu reduz ou engole as vogais átonas; o italiano pronuncia todas, inteiras. Molto acaba num « o » verdadeiro, não num « u »; notte acaba num « e » que se ouve. O segundo sinal é o « s »: antes de consoante não chia — festa tem o « s » de « sal ». O terceiro são as vogais nasais, que o italiano não tem: em canto ouve-se o n. E o r é sempre articulado com a ponta da língua, também no início da palavra: Roma não leva o « r » de garganta que muitos fazem em « rato ».

Como se pronunciam ch, gn, gli e ce, ci?

Algumas ao contrário do português, outras como ele. Ch lê-se « k »: che, chi, chiesa. O c sozinho antes de e ou i lê-se « tch », como em « tchau »: cena, ciao. O som do « ch » português escreve-se sc antes de e ou i: scena, sciare. Em compensação, gn é o « nh » de « banho » — bagno — e gli é o « lh » de « filho » — figlio.

As consoantes duplas ouvem-se mesmo?

Sim, e são o único ponto da pronúncia italiana em que um erro muda a palavra. Nono é « nono », nonno é « avô »; casa é a casa, cassa a caixa; e sete é a sede, enquanto sette é o número sete. Em português, « rr » e « ss » marcam outro som e não um som mais longo; em italiano, a consoante dupla é mesmo mantida durante mais tempo, e isso ouve-se.

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Não. Foi feito para aprender e para consultar, não passa certificados, não prepara para nenhum exame concreto de nenhuma entidade e não está ligado a nenhum centro de exames. Quem precisa de um diploma inscreve-se junto da entidade que o emite; o que aqui se encontra ajuda a saber fazer, não a prová-lo.

O que se consegue fazer em cada nível