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Aprender coreano: perguntas frequentes

56 perguntas que se fazem mesmo ao aprender coreano, com respostas que se aguentam sozinhas. Onde há mais a dizer, a ligação vem por baixo — não em vez da resposta.

Para começar

Por onde começar, quanto tempo leva, que coreano aprender e o que significam os níveis.

Como começo a aprender coreano?

Pelo hangul, o alfabeto, e logo a seguir por frases inteiras. O hangul vem primeiro porque é rápido: catorze consoantes básicas e dez vogais básicas, juntas em blocos de uma sílaba cada um, e quase toda a gente lê devagar ao fim de uma ou duas tardes. Aprende ao mesmo tempo as regras de som, porque uma palavra nem sempre se diz letra a letra: 먹어요, «como», diz-se como se estivesse escrito 머거요. Desde a primeira semana, aprende frases curtas inteiras — 안녕하세요. 저는 안나예요. 포르투갈 사람이에요. — e repara no que levam: o verbo no fim, uma partícula pequena colada ao substantivo e a terminação cortês -요. Depois vêm os poucos padrões em que se apoia tudo o resto: «A é B» com 이에요/예요, «há» e «não há» com 있어요 e 없어요, as partículas de tema e de complemento, e o presente cortês de um verbo.

O caminho do principiante

O que significam os níveis 1 a 3 deste par?

Seguem a escala numerada que quem aprende coreano costuma usar para dizer onde está, na qual o 1 é o primeiro passo. Essa escala continua mais além; o site chega até ao 4, e este par português, por agora, só até ao 3. Os níveis não são um exame nem uma classificação oficial. Não se usou nenhuma lista de palavras publicada por uma entidade examinadora, cada atribuição de uma palavra ou de um ponto de gramática é critério próprio deste projeto, e o site não tem relação nenhuma com quem organiza esses exames. Não há equivalência oficial com a escala europeia de A1 a C2; só como orientação, o 1 corresponde ao início do A1 e o 3 anda por aquilo que um B1 significa para uma língua europeia. O critério diz-se às claras: não é o quão difícil parece, mas a partir de que momento já não te arranjas sem aquilo. -(으)ㄹ게요, a terminação que promete algo a quem ouve, parece avançada e está no nível 2, porque se usa a toda a hora.

Os níveis deste site

Porque é que este par só chega ao nível 3?

Porque é o troço em que fazem falta explicações pensadas para quem fala português: o alfabeto, os sons, as partículas, os níveis de fala, as terminações que ligam frases. Com o nível 3 concluído já consegues ler textos simples, escrever mensagens e acompanhar uma conversa do dia a dia mais lenta do que o normal. O nível 4 existe no site com explicações em inglês, e a partir daí o que mais falta a quem aprende é volume: muitas mais palavras, muitas mais palavras sino-coreanas e o estilo escrito, visto vezes sem conta em textos reais. Preferimos cobrir bem os níveis que temos a espalharmo-nos por mais.

O que cobre cada nível

O coreano é difícil para quem fala português?

É difícil noutros sítios que uma língua europeia, e fácil em alguns que surpreendem. A escrita é a parte fácil: o hangul foi desenhado para se aprender depressa e, ao contrário da ortografia portuguesa, onde o mesmo som se escreve de várias maneiras (s, ss, ç, c, x), cada letra tem um som bastante estável. Os verbos não mudam com a pessoa nem com o número — 가요 é vou, vais, vai e vamos —, os substantivos não têm género e não há artigos: adeus a «o» e «a». Não há seis pessoas para conjugar. Mas tudo o que não se pode emprestar leva tempo. A ordem das palavras vai ao contrário, com o verbo no fim: 저는 커피를 마셔요 é «eu café bebo». Cada substantivo leva uma partícula que diz o que faz. Cada frase leva uma terminação que diz o quão cortês és. E o vocabulário quase não tem nada em comum com o português, a não ser os empréstimos do inglês. Nada disto está fora do alcance de ninguém; é uma língua em que ler chega cedo e falar com à-vontade chega devagar.

O verbo vai no fim

Quanto tempo leva a aprender coreano?

Não há um número honesto de horas, e uma página que dá um como facto foi buscá-lo a um sítio em que não devia confiar: depende do que já sabes, de quanto praticas e do que entendes por ter aprendido. Podem dizer-se três coisas. Ler o hangul em voz alta chega em dias, mas perceber o que lês leva muito mais, porque as palavras são novas e as terminações carregam muito significado. As partículas e os níveis de fala decidem muito nos primeiros meses, e o tempo que dedicas a fazê-los bem desde o início é tempo que não gastas depois a desaprender vícios. E a prática curta e regular vale mais do que sessões longas de vez em quando. Mede o progresso por aquilo que consegues fazer — pedir uma refeição, perguntar o caminho, perceber uma mensagem curta — e não pelo calendário.

O percurso de aprendizagem

Que coreano ensina este site, e os dialetos?

O coreano padrão tal como hoje se fala e escreve em Seul: a língua das escolas, da rádio e da televisão, dos escritórios e da vida pública da Coreia do Sul, e aquilo que se ensina à maioria de quem aprende fora. A ortografia e os espaços seguem as normas oficiais, e a pronúncia é a padrão. O coreano tem variedades regionais, algumas muito marcadas: a fala do sudeste, em redor de Busan, tem uma melodia própria, e a língua da ilha de Jeju é tão diferente que muitas vezes se trata como língua à parte. A Coreia do Norte tem a sua própria norma escrita, com algumas diferenças de ortografia, espaços e vocabulário, embora a gramática seja a mesma e os falantes dos dois lados se entendam. Quem começa pelo padrão de Seul faz-se entender em todo o lado, e as palavras locais aprendem-se melhor onde se dizem.

Aprendo primeiro a falar ou a ler?

Com o coreano a pergunta quase se responde sozinha, porque ler a escrita é a parte mais rápida da língua toda: não há motivo para adiar. O que há a decidir é quanto te apoias na romanização. É útil ao princípio, e mostra como se diz de facto uma palavra onde a ortografia não o faz, mas é uma muleta para os olhos, não uma segunda maneira de escrever coreano: os coreanos não a usam entre si. O melhor para quase toda a gente é ler hangul desde a primeira semana, dizer cada frase em voz alta e usar a romanização para confirmar as regras de som. Este site foi pensado exatamente para isso: cada frase está em hangul, e cada palavra leva por baixo a sua romanização até a desligares.

O percurso de aprendizagem

O coreano é parente do japonês ou do chinês?

Não como o português é do espanhol. O coreano ficou, ao longo dos séculos, com muitíssimas palavras do chinês, pelo que grande parte do seu vocabulário, sobretudo o formal e o técnico, é feita de sílabas chinesas: 학교, escola, e 도서관, biblioteca, são palavras assim — algo parecido com o que o latim erudito fez ao português. A gramática, em contrapartida, parece-se muito mais com a japonesa: o verbo vai no fim, as partículas vão atrás do substantivo e as terminações acumulam-se no verbo. Nunca se demonstrou que o coreano e o japonês venham de um antepassado comum, e muitos linguistas tratam o coreano, juntamente com a língua de Jeju, como uma família própria. Na prática: saber japonês ajuda muito com a gramática coreana, e saber chinês ajuda com o vocabulário dos jornais.

O hangul e como se escreve

O alfabeto, como se forma um bloco de sílaba, os espaços entre palavras, os caracteres chineses e o teclado coreano.

Aprende-se mesmo o hangul num dia?

Aprende-se a lê-lo num dia, devagar, e quase toda a gente consegue. Há catorze consoantes básicas e dez vogais básicas, o resto são duplas e combinações destas, e cada letra tem um som bastante estável. O que leva mais tempo é ler com à-vontade, isto é, reconhecer um bloco de relance e não letra a letra, e ler bem, isto é, conhecer o punhado de regras que mudam um som onde se juntam dois blocos: 국물, caldo, escreve-se com k e diz-se com ng, gungmul. Dá às letras uma tarde e às regras de som umas semanas de leitura em voz alta.

As letras e o bloco de sílaba

Quem inventou o hangul e porque tem aquela forma?

Foi criado no século XV na corte do rei Sejong, para que o povo, que não sabia ler os caracteres chineses com que então se escrevia, pudesse escrever a sua própria língua. Isso faz dele uma das pouquíssimas escritas cuja origem e propósito estão documentados. As formas não são arbitrárias. As consoantes básicas desenham a boca ao produzi-las: a letra do k mostra o dorso da língua levantado, a do n a ponta da língua atrás dos dentes, a do m os lábios fechados. Os sons aparentados acrescentam um traço, de modo que o k aspirado tem uma linha a mais do que o suave. As vogais constroem-se com um traço curto, uma linha horizontal e uma vertical, explicadas desde sempre como o céu, a terra e o ser humano. Sabendo isto, as letras deixam de parecer um código e passam a parecer um sistema.

As letras e o bloco de sílaba

Como se forma um bloco de sílaba?

Cada bloco é uma sílaba, e começa sempre por uma consoante. Quando uma sílaba começa por vogal, um círculo mudo ocupa o lugar da consoante: 아 é a, 오 é o. A vogal vai à direita da consoante se for alta, como em 가, ou por baixo se for plana, como em 고. A consoante final, se a houver, vai em baixo: 각, 곡, 한. Assim, 한국, Coreia, são dois blocos: h + a + n e g + u + k. O bloco é uma unidade de escrita, não de significado: uma palavra pode ter um bloco ou cinco, e os espaços de uma frase vão entre palavras, não entre blocos.

As letras e o bloco de sílaba

Porque é que algumas consoantes são duplas?

Porque o coreano tem três tipos de k, t, p e ch e dois de s, e as letras duplas escrevem o terceiro. A consoante suave, como em 가, é relaxada e leva um pouco de ar atrás. A aspirada, como em 카, leva um sopro forte, como o k de uma palavra inglesa. A tensa, escrita dupla como em 까, não leva ar nenhum e aperta a garganta — e aqui o português leva vantagem: a tensa parece-se muito com o c de «casa», o t de «tela» ou o p de «pão», que o português diz sem sopro. A diferença muda palavras: 불 é fogo, 풀 erva e cola, e 뿔 um corno. O que custa é a suave, que não é nem o nosso g nem o nosso c; ouve o sopro de ar e o tom, que é mais alto depois da aspirada e da tensa.

Consoantes suaves, aspiradas e tensas

O coreano ainda usa caracteres chineses?

Muito pouco na vida diária. Tudo o que vais ver em lojas, cartazes, mensagens e quase todos os livros está escrito só em hangul. Os caracteres chineses, chamados hanja em coreano, ainda aparecem aqui e ali: em alguns títulos de jornal, num ou noutro letreiro, nos nomes próprios, que muitas vezes se escolhem a pensar num carácter concreto, e nos dicionários, onde mostram de onde vem uma palavra sino-coreana. Há quem aprenda umas centenas, porque tornam mais fácil fixar as muitas palavras sino-coreanas: sabendo que a sílaba 학 significa «aprender», 학생, 학교 e 과학 relacionam-se. Mas não precisas deles para ler coreano, e este site não escreve nenhum carácter chinês nas suas frases.

As listas de vocabulário

Onde vão os espaços numa frase coreana?

Entre palavras, como em português — mas uma «palavra» coreana inclui as partículas e as terminações que se lhe colam. Assim, 저는 학교에서 공부해요, «estudo na escola», são três palavras com dois espaços: a partícula de tema vai colada a 저, a de lugar a 학교 e a terminação ao verbo. Onde o português escreve «na escola» separado, o coreano escreve «escola-em» junto. Uns poucos substantivos pequenos que dependem do que vem antes vão soltos: 먹을 수 있어요, posso comer, e 갈 거예요, irei, levam um espaço antes do substantivo pequeno. Os classificadores também vão separados do número: 두 개, duas unidades. Os próprios coreanos discutem alguns casos, mas a regra básica — partículas e terminações coladas, tudo o resto separado — cobre quase todas as frases que vais escrever.

O verbo vai no fim

Como escrevo em coreano no teclado?

Acrescenta um teclado coreano ao telemóvel ou ao computador: todos os sistemas habituais o trazem. A disposição padrão põe as consoantes sob a mão esquerda e as vogais sob a direita, e escreves letra a letra pela ordem em que as escreverias; o sistema monta os blocos sozinho. Escrever ㅎ, ㅏ, ㄴ dá 한, e as consoantes duplas saem com a tecla das maiúsculas. Leva uma ou duas semanas até deixares de procurar as teclas. Neste site não é preciso: onde um exercício pede para escrever coreano, podes escrever em vez disso a romanização que aparece por baixo das palavras — jeoneun haksaengieyo para 저는 학생이에요 — e conta como certa se coincidir com a romanização da resposta. Os espaços, hífenes e maiúsculas não contam aí.

As letras e o bloco de sílaba

Sons e romanização

Porque é que uma palavra não se diz como se escreve, os sons que o português não tem e o que mostra a linha por baixo de cada palavra.

Porque é que uma palavra coreana nem sempre se diz como se escreve?

Porque o hangul escreve as partes de uma palavra, e os sons mudam onde as partes se juntam. A ortografia mantém reconhecível a raiz de um verbo seja qual for a terminação que se segue: 먹다, comer, 먹어요, 먹는, 먹고. A boca, entretanto, segue umas poucas regras regulares. Uma consoante final passa para a vogal seguinte, de modo que 먹어요 se diz meogeoyo — como o português liga «os outros» em «o-zoutros». Um k, t ou p antes de n ou m torna-se nasal, de modo que 먹는 se diz meongneun. E um h junto a k, t, p ou ch acrescenta um sopro de ar, de modo que 좋고 se diz joko. As regras são poucas e muito regulares, e depois de as conheceres a ortografia ajuda em vez de atrapalhar: diz-te que palavra é, e as regras dizem-te como soa.

Ligação: como se juntam os sons

O que mostra a romanização por baixo do coreano e como a desligo?

Mostra como se diz realmente cada palavra, com a romanização oficial que se usa nas placas de estrada na Coreia, pelo que 국물 aparece como gungmul e 같이, juntos, como gachi. Segue as regras de som e não as letras, que é precisamente para o que serve. Deixa de fora algo que o sistema oficial também deixa: a tensão de uma consoante depois de certas outras, de modo que 학교 se escreve hakgyo, embora se diga com um k tenso no meio. E onde o sistema oficial conserva um h por causa das placas, este site escreve o que se ouve: 백화점, grandes armazéns, é baekwajeom. Atenção: a romanização lê-se com valores ingleses, não portugueses — j não é o «j» de «já» mas um «dj» curto, e eo é uma só vogal. Desliga-se com o botão do cabeçalho; a tua escolha fica guardada.

Ligação: como se juntam os sons

Porque é que a romanização escreve g onde eu oiço k?

Porque as consoantes suaves coreanas não são nem o nosso g nem o nosso c. No início de palavra, a consoante suave de 가방, mala, leva um pouco de ar e não vibra, pelo que ao ouvido português soa mais perto de um c. Entre duas vogais, a mesma letra relaxa e vibra, e soa a g, como em 아기, bebé. A romanização escreve g nos dois casos, porque é o mesmo som coreano, e guarda o k para a consoante aspirada com o seu sopro forte, como em 카드, cartão. O mesmo vale para d e t, b e p, e j e ch. Não tentes dizer um g português; aponta a um c brando com muito pouco ar, e deixa-o vibrar sozinho entre vogais.

Consoantes suaves, aspiradas e tensas

Porque é que a romanização não mostra o som tenso de hakgyo?

Porque é previsível, e a romanização oficial deixa de fora o que se pode prever. Depois de um k, t ou p final, uma consoante suave torna-se tensa: 학교 diz-se com um kk tenso no meio, e 식당, restaurante, com um tt tenso. Todos os coreanos o fazem sem pensar, e depois de o ouvires umas vezes, tu também. Uns poucos casos não se podem prever pela ortografia, sobretudo a tensão depois da terminação de futuro: 할 수 있어요, posso fazê-lo, diz-se como se fosse hal ssu. O tema sobre a tensão diz onde acontece. A romanização cala-se de propósito para que a linha por baixo de cada palavra continue legível.

A tensão das consoantes

Os coreanos ainda distinguem ae e e?

Ao escrever, sempre; ao falar, quase nunca. As vogais escritas ㅐ e ㅔ eram distintas, a primeira mais aberta, e ainda o são na fala cuidada e na norma. Na fala diária de Seul, e sobretudo entre os jovens, fundiram-se num só som, algures entre o «ê» de «mesa» e o «é» de «pé». É por isso que os próprios coreanos às vezes têm de perguntar se um nome se escreve com uma ou com outra, e é por isso que 개, cão, e 게, caranguejo, se distinguem pelo contexto. O conselho é simples: aprende a grafia de cada palavra, diz as duas com um «e» algo aberto e não receies que não te entendam.

Consoantes suaves, aspiradas e tensas

O coreano tem r ou l?

Uma só letra faz o trabalho das duas. Entre duas vogais é um toque leve da língua, igual ao r de «caro», e a romanização escreve r: 사람, pessoa, saram — aqui quem fala português acerta sem esforço. No fim de sílaba, e quando é dupla, é um l claro: 말, palavra, mal, e 빨리, depressa, ppalli. No início de palavra aparece sobretudo em empréstimos, como em 라면, noodles instantâneos. A única armadilha para quem fala português é dizê-lo como o r de «rato», aquele que no português europeu se faz lá atrás na garganta: o r coreano é sempre um toque curto da língua e nunca se alonga.

As letras e o bloco de sílaba

O coreano tem tons ou acento?

O coreano padrão não tem tons: uma sílaba significa o mesmo seja qual for a sua altura. Algumas variedades regionais, sobretudo no sudeste, usam de facto a altura para distinguir palavras, mas o padrão de Seul não. Também não há um acento de palavra forte como o de «sábia», «sabia» e «sabiá»: o coreano dá às suas sílabas um peso parecido, de modo que soa mais uniforme do que o português. Onde a melodia importa é no fim da frase. Muitas frases são perguntas só porque a voz sobe, tal como em português: 밥 먹었어요?, comeste?, e 밥 먹었어요., comi, escrevem-se com as mesmas palavras e dizem-se com outra melodia. A última sílaba é onde trabalha a entoação coreana.

Perguntas de sim ou não e como responder

Porque é que hanyeoreum se diz hannyeoreum?

Porque em algumas palavras compostas se mete um som n onde a segunda parte começa por i ou y. 한여름, pleno verão, é feito de 한, pleno, e 여름, verão, e diz-se hannyeoreum. O mesmo acontece em 꽃잎, pétala, que se diz kkonnip. A regra é real, mas não totalmente previsível pela ortografia, porque depende de onde acaba uma palavra e começa a seguinte dentro do composto. Este site recolhe as palavras em que acontece e mostra o som acrescentado na romanização, de modo que podes confiar na linha por baixo de cada palavra.

O n acrescentado e os três sons de ui

Gramática

O verbo no fim, as partículas, os números e os pontos em que quem fala português mais vezes se engana.

Porque é que o verbo vai no fim?

Porque a ordem básica da frase coreana é sujeito, complemento, verbo: 저는 사과를 먹어요, «eu uma maçã como». Tudo o que descreve a ação — quando, onde, com quem, como — vai antes do verbo, e o verbo com as suas terminações fecha a frase. Por isso o fim de uma frase coreana carrega tanto: o tempo, a negação, a cortesia, a pergunta, uma suposição, uma promessa. Para quem ouve significa esperar pela última palavra para saber o que se passa; para quem fala, planear a frase ao contrário. A ordem do que vai antes do verbo é bastante livre — mais ainda do que em português —, porque as partículas dizem que substantivo faz o quê.

O verbo vai no fim

O que são as partículas e porque mudam de forma?

As partículas são terminações pequenas que se colam a um substantivo e dizem o que ele faz na frase: o trabalho que em português fazem as preposições e a ordem das palavras, só que vão atrás. 이/가 marca o sujeito, 을/를 o complemento, 에 para onde vais ou onde estás, 에서 onde algo acontece. A maioria tem duas formas, uma para um substantivo que acaba em consoante e outra para um que acaba em vogal: 책을 읽어요, leio um livro, mas 커피를 마셔요, bebo café. O motivo é o som: o coreano evita que choquem duas vogais ou duas consoantes nessa junção, tal como o português junta «em» e «a» em «na». Olha para a última letra do substantivo e a forma certa sai sozinha.

A partícula de tema

Que diferença há entre eun/neun e i/ga?

As duas podem marcar o substantivo de que trata a frase, e a escolha depende do que é novo. 은/는 marca o tema, algo já conhecido ou que se contrasta com outra coisa: 저는 학생이에요, quanto a mim, sou estudante. 이/가 marca um sujeito que é informação nova, ou que responde a uma pergunta: a 누가 왔어요?, quem veio?, responde-se 민수가 왔어요, veio o Minsu. Por isso um interrogativo como sujeito leva 이/가 e não 은/는: 누가, 뭐가. Uma primeira regra útil: apresenta algo com 이/가 e continua a falar disso com 은/는. O português faz algo parecido com a ordem e o artigo — «veio um rapaz» frente a «o rapaz, esse, é estudante». A partícula de tema também contrasta: 커피는 마셔요 sugere «café bebo, ao contrário de outra coisa». Leva tempo a senti-lo, e é aquilo em que toda a gente continua a melhorar.

Escolher entre tema e sujeito

Porque posso omitir «eu» e «tu»?

Porque o coreano cala o que a situação deixa claro, e a pessoa costuma estar clara. Até aqui, nada de novo para quem fala português, que também diz «vou» sem «eu»; a diferença é que o verbo coreano não te diz a pessoa, pelo que o contexto trabalha ainda mais. 어디 가요? é «onde vais?» e 학교에 가요 «vou à escola», sem pronome em nenhuma. Dizer 저는 em cada frase soa pesado, e dizer «tu» é um problema à parte: o coreano não tem uma palavra neutra para isso que se possa usar com um desconhecido ou uma pessoa mais velha. Em vez disso usa-se o nome da outra pessoa com 씨, o seu cargo, ou nada. Os pronomes voltam quando há contraste: 저는 커피, 친구는 차, café para mim, chá para o meu amigo.

Calar o que se sabe

Os adjetivos coreanos são mesmo verbos?

Comportam-se como verbos, e a gramática coreana trata-os como uma classe de verbo que descreve. Têm uma forma de dicionário em -다, tomam as mesmas terminações de tempo e cortesia e não precisam de «ser» nem de «estar» — boa notícia para quem hesita entre os dois —: 날씨가 좋아요 é «está bom tempo», e 날씨가 좋았어요 «estava bom tempo». Distinguem-se dos verbos de ação em algumas terminações: antes de um substantivo, um adjetivo toma -(으)ㄴ e um verbo de ação -는, de modo que uma boa pessoa é 좋은 사람, e um adjetivo não serve para ordens nem propostas. Pensa em «estar ocupado», «ser bom», «estar frio» como uma só palavra, e o padrão faz sentido.

Os adjetivos são verbos

O coreano tem tempos verbais?

Sim, um passado e um futuro, ambos marcados no verbo, e um presente que cobre muito. O passado acrescenta uma sílaba antes da terminação: 가요, vou, 갔어요, fui. Uma só forma serve para «fui», «ia» e «tenho ido»: o coreano não separa o pretérito perfeito do imperfeito nem do composto como o português. O futuro costuma ser uma construção depois da raiz, 갈 거예요, irei, que também exprime suposições, como o nosso «devem ser três horas». O presente faz o trabalho de «vou» e «estou a ir», e com uma palavra de tempo pode ser um plano, tal como em português: 내일 가요, amanhã vou. Além disso há verbos auxiliares para «estar a fazer», para um estado que dura e para já ter feito algo alguma vez, e a página dos tempos reúne-os todos.

Tempo e aspeto

Como digo sim e não, e porque é que ne pode significar não?

Sim é 네, ou 예 num tom mais formal, e não é 아니요. A surpresa vem com as perguntas que levam uma negação. 네 dá razão ao que a outra pessoa disse, não aos factos, de modo que a 안 가요?, «não vais?», a resposta 네 significa «é isso, não vou», e 아니요 «não, vou sim». O português responde aos factos — «não, não vou» —; o coreano responde a quem pergunta. 네 também serve de «percebo», «estou a ouvir» ou «tome», e por isso os coreanos o dizem tanto ao telefone. Se tiveres dúvidas, acrescenta o verbo: 네, 안 가요 fica claro em qualquer caso.

Perguntas de sim ou não e como responder

Como faço uma pergunta em coreano?

Uma pergunta de sim ou não muitas vezes não muda nada: a terminação cortês -요 fica, e a voz sobe no fim, como em português. 커피 마셔요? é «bebes café?». Uma pergunta com interrogativo mantém a ordem normal, com o interrogativo onde irá a resposta: 뭐 마셔요? é «o que bebes?», literalmente «bebes o quê?» com o «quê» no lugar do café, e 어디에 가요? «para onde vais?». Nada se desloca para o início. No estilo formal a terminação muda, -습니까? em vez de -습니다, e na fala informal uma pergunta pode acabar em -니? ou simplesmente na forma informal com a voz para cima: 먹어?.

Os interrogativos

Que diferença há entre an e mot?

Os dois vão antes do verbo e negam-no, mas dizem coisas diferentes. 안 é «não», por decisão ou como simples facto: 안 가요, não vou. 못 é «não poder», porque algo o impede: 못 가요, não posso ir. Usar 안 onde cabe 못 pode soar descortês, como se recusasses um convite porque não te apetece. Com os verbos formados por um substantivo e 하다, os dois vão pelo meio: 공부 안 해요, não 안 공부해요. E as formas longas depois da raiz, -지 않다 e -지 못하다, significam o mesmo e soam um pouco mais cuidadas.

Não poder: mot antes do verbo

Porque é que alguns verbos coreanos são irregulares?

Porque o último som de algumas raízes muda quando se acrescenta uma terminação que começa por vogal — como «pedir» passa a «peço» ou «ver» a «vejo». Em coreano acontece em uns poucos grupos claros. Uma raiz em b pode transformar o b num som w: 춥다, estar frio, 추워요. Uma raiz em d pode transformá-lo em l: 듣다, ouvir, 들어요. Uma raiz terminada em 르 duplica o l: 모르다, não saber, 몰라요. A vogal 으 cai: 쓰다, escrever, 써요. A irregularidade é questão de som e é regular dentro de cada grupo. A armadilha é que nem toda a raiz parecida pertence ao grupo: 입다, vestir, dá 입어요, e 받다, receber, dá 받아요. Aprende cada verbo com o seu presente cortês e o problema desaparece.

Todas as raízes irregulares juntas

Como digo «o livro que leio» ou «o homem que veio»?

Pondo toda a descrição à frente do substantivo, com uma terminação no verbo que avisa de que vem um substantivo. 제가 읽는 책 é «o livro que estou a ler», literalmente «eu lendo livro». A terminação também leva o tempo: -는 para agora, -(으)ㄴ para o passado, -(으)ㄹ para o que ainda não aconteceu. Assim, 어제 온 사람 é «a pessoa que veio ontem» e 내일 할 일 «o que há para fazer amanhã». Nestas frases não há nenhum «que», «quem» nem «o qual». Por maior que seja a descrição, o substantivo vai no fim — ao contrário do português, onde vem primeiro —, e ler coreano é habituar-se a esperá-lo.

Verbos antes de um substantivo

Porque é que o coreano tem duas séries de números?

Porque guardou os seus próprios números e além disso tomou uma série completa do chinês, e cada uma ficou com as suas tarefas. Os números nativos, 하나, 둘, 셋, contam coisas e pessoas, dão a hora e a idade de uma pessoa, e vão até noventa e nove. Os sino-coreanos, 일, 이, 삼, usam-se para datas, dinheiro, minutos, telefones, andares e tudo o que é grande. As duas podem ir na mesma expressão: 두 시 삼십 분, as duas e meia, tem a hora nativa e os minutos sino-coreanos. Quatro números nativos e o vinte mudam de forma antes de um classificador — como «um» passa a «uma» diante de um nome feminino —: 하나 torna-se 한, de modo que uma pessoa é 한 명. O classificador que vem depois do número costuma dizer-te que série usar.

Os números nativos

O que são classificadores e preciso mesmo deles?

Um classificador é uma palavra pequena entre o número e o que se conta, como «cabeças» em «cem cabeças de gado» ou «fatias» em «três fatias de pão», só que o coreano usa-a sempre que conta. As pessoas levam 명, os animais 마리, os livros 권, as chávenas e os copos 잔, as garrafas 병, as coisas planas 장, as máquinas e os veículos 대. A ordem é ao contrário da do português: substantivo, número, classificador — 커피 두 잔, dois cafés. Precisas deles, sim, mas podes começar com poucos, e o classificador geral 개 serve para quase todos os objetos quando não te lembras do certo: 사과 세 개, três maçãs.

Os classificadores

O coreano tem plurais e artigos?

Não tem nenhum artigo: 책 é um livro, o livro, livros ou os livros em geral, e a situação decide. Onde o português usa «este», «esse» e «aquele», o coreano também tem três palavras, 이, 그 e 저 — e aqui o português sai a ganhar, porque as reparte quase da mesma maneira: isto perto de mim, isso perto de ti, aquilo ali. Há uma terminação de plural, -들, mas é opcional e usa-se muito menos do que o «-s» português: 학생이 많아요, há muitos estudantes, não precisa dela, porque «muitos» já o diz. Usa-se sobretudo com pessoas e quando o plural importa: 여러분, a todos, e 친구들, os meus amigos.

Este, esse e aquele

Cortesia e níveis de fala

Que terminação usar com quem, as palavras que mostram respeito e porque é que toda a gente te pergunta a idade.

Que nível de fala aprendo primeiro?

A terminação cortês -아요/어요, a de 가요, 먹어요 e 해요. É cortês sem ser rígida, e serve para quase toda a gente: empregados, colegas de trabalho, vizinhos, desconhecidos, pessoas mais velhas do que tu. É o mais parecido com tratar alguém por «o senhor» ou «a senhora» com naturalidade. O estilo formal em -습니다 é para avisos, discursos, o telejornal e os primeiros minutos de uma reunião formal; convém percebê-lo cedo e usá-lo em algumas frases feitas, como 감사합니다. A fala informal sem -요 é para amigos íntimos da mesma idade, pessoas mais novas que te conhecem bem e crianças. Começar por -요 significa que nunca serás mal-educado, e os coreanos dir-te-ão quando podes largá-lo.

Escolher um nível de fala

Que diferença há entre -yo e -mnida?

As duas são corteses; distinguem-se pelo tom, não pelo respeito. -습니다 e -ㅂ니다 são formais, a voz dos avisos, dos pivôs de notícias, dos militares, das apresentações e do pessoal que atende o público: 감사합니다, 도착했습니다. -아요/어요 é a voz cortês da vida diária, mais suave e pessoal: 고마워요, 도착했어요. Muita gente mistura as duas na mesma conversa, com a formal para um cumprimento ou um agradecimento e a suave para o resto. Percebe as duas desde o início, usa -요 por defeito e passa ao estilo formal onde todos os outros o usarem.

O estilo formal

Quando posso falar de maneira informal?

Quando a outra pessoa te convida, ou quando a relação o permite claramente. A fala informal, 반말, tira a terminação cortês — 가 em vez de 가요, 먹어 em vez de 먹어요 — e usa-se entre amigos íntimos da mesma idade, de familiares mais velhos para mais novos e com crianças. Usá-la sem convite com um desconhecido ou alguém mais velho é descortês, muito mais do que tratar por «tu» em português, e a quem aprende não se desculpa por muito tempo. A forma habitual de entrar é um convite expresso: 말 놓으세요, «deixe a fala cortês», ou uma pergunta como 우리 말 편하게 할까요?. Entre amigos que deram esse passo, voltar a -요 soa frio, pelo que a mudança é um acontecimento real numa amizade.

A fala informal

O que é o honorífico -si-?

Uma sílaba que se mete no verbo para mostrar respeito pela pessoa que faz a ação, não pela pessoa com quem falas — algo que o português não tem, porque o nosso «o senhor» só olha para quem ouve. 가요 é «vai», e 가세요 é «vai» dito de alguém que respeitas: 선생님이 가세요, o professor vai-se embora. Usa-se para pessoas mais velhas, professores, clientes, superiores e desconhecidos, e nunca para ti próprio: diz-se 저는 가요, não 저는 가세요. Como o pedido cortês -(으)세요 contém a mesma sílaba, 앉으세요 significa «sente-se, por favor» e também «ele ou ela senta-se», e a situação diz qual.

O honorífico si

Porque é que algumas palavras têm uma versão especial de respeito?

Porque acrescentar -시- nem sempre basta: uns poucos verbos e substantivos muito comuns têm uma palavra diferente para uma pessoa que respeitas. Comer é 먹다, mas uma avó 드시다; dormir é 자다, mas ela 주무시다; estar num sítio é 있다, mas ela 계시다. A sua idade é 연세 e não 나이, o seu nome 성함 e não 이름, e a sua casa 댁 e não 집. Há umas duas dúzias de pares assim em uso diário. Aprende-os aos pares, e usa o respeitoso sempre que meterias -시- no verbo.

As palavras honoríficas

Porque não devo usar dangsin para dizer «tu»?

Porque 당신, que os dicionários traduzem por «tu» ou «você», não é uma palavra neutra na conversa. Entre cônjuges é carinhosa; numa discussão é hostil; em canções e anúncios não se dirige a ninguém em concreto. Dita a um desconhecido ou a um colega, soa a grosseira ou a estranha — algo parecido com o «você» do português europeu, que muita gente evita justamente por não saber que tom leva. Os coreanos evitam o problema não dizendo «tu» de todo, o que é fácil porque o pronome se pode calar, ou usando um nome com 씨, um título como 선생님 ou uma palavra para o papel da pessoa. Entre amigos da mesma idade, o informal 너 está bem.

Calar o que se sabe

Porque é que os coreanos me perguntam a idade?

Porque a idade decide como duas pessoas falam uma com a outra. A alguém mais velho fala-se com mais respeito, e a alguém mais novo pode falar-se com mais à-vontade; a amizade entre pessoas da mesma idade é a única relação em que a fala informal sai com naturalidade. Perguntar a idade, ou o ano de nascimento, não é por isso indiscreto mas prático: diz aos dois que terminações e que tratamento usar. É também por isso que os coreanos chamam às pessoas que conhecem uma palavra de família ou um cargo — 언니, 형, 선배, um colega de anos mais avançados — em vez do nome. Quem aprende e responde com simplicidade à pergunta e aceita o resultado está a fazer exatamente o que se espera.

Escolher um nível de fala

O que quer dizer a gente com «já comeste?»

Muitas vezes, olá. 밥 먹었어요?, literalmente «comeste arroz?», é um cumprimento amigável entre conhecidos, e a resposta esperada é 네, 먹었어요 — mesmo que não tenhas comido, a menos que queiras que te convidem. Do mesmo género é 어디 가요?, «para onde vais?», que pergunta um vizinho que na verdade não precisa de saber, como o nosso «então, a passear?»: 시장에 잠깐 가요, vou ali ao mercado, chega e sobra. Ambos mostram interesse pela outra pessoa mais do que pedem informação, e ambos são mais fáceis de responder do que de explicar.

Palavras e uso diário

Que palavras primeiro, de onde vêm, os empréstimos que mudaram pelo caminho e as palavras da família.

Que palavras coreanas aprendo primeiro?

As que sustentam qualquer frase: os interrogativos, as duas séries de números e os primeiros classificadores, os dias e a hora, os verbos e adjetivos mais comuns e as frases feitas de um dia — 안녕하세요, 감사합니다, 죄송합니다, 괜찮아요. Aprende os verbos no presente cortês além da forma de dicionário, porque a forma cortês é a que vais dizer e mostra logo se a raiz é regular. Aprende os substantivos com uma partícula e uma frase curta, porque um substantivo coreano nunca vai sozinho numa frase. E aprende cedo as palavras da tua própria vida: o teu trabalho, a tua família, o que comes. As listas de vocabulário daqui começam precisamente por aí.

As listas de vocabulário

O que são palavras sino-coreanas?

Palavras feitas com sílabas tomadas do chinês ao longo de muitos séculos. Formam grande parte do vocabulário, sobretudo o formal, o académico e o técnico, e funcionam como peças: 학, aprender, dá 학생, estudante, 학교, escola, e 대학, universidade; 대, grande, dá 대학 e 대사관, embaixada. Muitas ideias do dia a dia têm uma palavra nativa e outra sino-coreana, e a sino-coreana costuma ser mais formal, como em português «dente» e «dental»: 이 e 치아 são os dentes, o segundo no dentista. Reconhecer as sílabas comuns é uma das maneiras mais rápidas de alargar o vocabulário, e não precisas de aprender os caracteres chineses que estão por trás.

As listas de vocabulário

Há palavras inglesas em coreano?

Muitíssimas, sobretudo para coisas modernas: 커피, café, 컴퓨터, computador, 버스, autocarro. Escrevem-se em hangul e dizem-se com sons coreanos, o que ao princípio as torna difíceis de reconhecer: uma palavra inglesa que acaba em consoante costuma ganhar uma vogal, de modo que «bus» se diz beoseu e «cake» keikeu. A armadilha são as palavras que mudaram pelo caminho, às vezes chamadas «konglish». Um 노트북 é um portátil, um 핸드폰 um telemóvel, um 원룸 um estúdio, e um 파이팅 não é uma luta mas um grito de ânimo: «força, tu consegues!».

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Porque há tantas palavras para irmão e irmã?

Porque o coreano nomeia os irmãos pela idade e pelo sexo de quem fala, não pelo do irmão. Um irmão mais velho é 형 se fores homem e 오빠 se fores mulher; uma irmã mais velha é 누나 para um homem e 언니 para uma mulher; um irmão ou uma irmã mais novos é 동생 para todos, e 남동생 ou 여동생 onde importa. Estas palavras vão muito além da família: amigos, colegas e até empregados recebem o nome de 언니 ou 형, porque a idade decide como as pessoas falam e uma palavra de família di-lo com carinho. 오빠 em particular é também como uma mulher pode chamar ao namorado ou a um homem algo mais velho com quem tem confiança.

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O que são palavras como banjjakbanjjak e dugeundugeun?

Palavras de som e de maneira, uma das partes mais vivas do coreano. Umas imitam um som — 멍멍 é o ladrar de um cão, como o nosso «au-au», 쾅 uma porta a bater — e outras pintam uma maneira de se mover ou um sentimento: 반짝반짝 é algo que cintila, 두근두근 um coração a bater forte, 엉금엉금 um avanço lento de gatas. Quase todas vão duplicadas, e muitas vêm em pares cujas vogais mudam o tamanho ou o peso da imagem. Usam-se constantemente, na fala, nos livros infantis, na banda desenhada e na publicidade, quase sempre antes de um verbo: 별이 반짝반짝 빛나요, as estrelas cintilam. Aprende-as numa frase; fora de contexto custa precisá-las.

As listas de vocabulário

Tenho de aprender provérbios e expressões de quatro caracteres?

Para os perceber, sim; para os usar, só uns poucos. Os coreanos citam provérbios na conversa com tanta naturalidade como um português, muitas vezes só a primeira metade — como quem diz «Quem espera…» —, e as expressões de quatro caracteres feitas com sílabas chinesas são frequentes na escrita, nas notícias e na fala cuidada: 작심삼일, «decisão de três dias», é um propósito que não dura. Muitas expressões do dia a dia assentam no corpo, e as suas imagens não são as nossas: 발이 넓다, ter os pés largos, é conhecer muita gente. Para quem aprende, primeiro vem perceber: vais ouvi-las muito antes de precisares de as dizer, e uma mal usada soa mais estranha do que as palavras normais.

As listas de vocabulário

Este site

De onde vem o material, para quem é e o que não é.

Posso usar este site se começar do zero?

Sim. A gramática começa pelas letras e pelo bloco de sílaba, cada explicação está escrita em português, cada palavra coreana de cada frase leva a sua romanização, e cada tema diz a que nível pertence — de modo que podes ficar no nível 1 até o teres firme e seguir quando estiver. Não precisas de saber uma letra de hangul para começar.

A gramática, nível a nível

Porque é que este site escreve o coreano sem romanização no próprio texto?

Porque o coreano se escreve em hangul, e quem aprende deve vê-lo como se escreve desde o primeiro dia. A romanização é uma linha por baixo de cada palavra, calculada a partir do hangul com as regras de som, para que possas confirmar como se diz; não é uma segunda ortografia da língua, e os coreanos não a leem. Separar as duas tem ainda um lado prático: podes desligar a linha e ver se lês o hangul sozinho, e voltar a ligá-la quando não tiveres a certeza.

A gramática, nível a nível

Porque estão as explicações em português e não em inglês?

Porque o que custa a quem fala português não é o que custa a quem fala inglês. As três séries de consoantes explicam-se melhor a partir do c sem ar de «casa»; o r coreano entre vogais é o nosso r de «caro»; o «tu» e o «o senhor» do coreano estão no verbo e não no pronome; e o coreano, como o português, cala o sujeito. As frases coreanas, as palavras e as tabelas de formas são as mesmas da versão inglesa do site; o que muda é a língua em que se explicam, e as comparações, que aqui se fazem com o português.

De onde vem o material deste site?

Cada explicação, frase de exemplo, lista de palavras e exercício foi escrito para este site. Nada foi tirado de um manual, de uma gramática, de um dicionário, de um baralho de cartões ou de outro site de línguas — nem sequer uma lista de palavras por nível, porque a seleção e a ordem de uma lista estão protegidas ainda que as palavras soltas não estejam. Por isso também os níveis de palavras e de gramática são critério próprio deste projeto, e di-lo.

Este site prepara-me para um exame de coreano?

Não, e é uma constatação, não modéstia. O site não tem relação com nenhuma entidade que ponha ou corrija exames, não usou nenhuma das suas listas de palavras nem segue nenhum dos seus programas, e não pretende prever o resultado de ninguém. Os seus níveis seguem uma numeração que quem aprende costuma usar, e cada atribuição é critério próprio deste projeto. Explica, dá exemplos e faz perguntas. O que praticas aqui ajuda em qualquer exame, porque é a mesma língua; mas um certificado dá-o uma entidade examinadora, não este site.